"Microverdes de beterraba (Beta vulgaris L.) nanobiofortificados com nanopartículas e complexos de selênio (Se)."
selênio; nanopartículas de selênio; nanobiofortificação; microverdes; Beta vulgaris L.; cisteína; nanotecnologia agrícola.
A deficiência de selênio (Se) mostra-se como um problema de saúde pública em diversas regiões do mundo, o que torna a biofortificação vegetal uma inovação promissora para aumentar a disponibilidade desse micronutriente na alimentação humana. Nesse cenário, a nanotecnologia tem se destacado pelo desenvolvimento de nanopartículas capazes de potencializar a eficiência de absorção, transporte e disponibilidade de nutrientes pelas plantas. O presente estudo teve como objetivo sintetizar e caracterizar nanopartículas e complexos de selênio estabilizados por aminoácidos, para aplicação na nanobiofortificação de microverdes de beterraba (Beta vulgaris L.). As formulações foram obtidas utilizando cisteína como agente estabilizante, tendo como controle o selenito de sódio e soluções contendo apenas aminoácidos. A caracterização físico-química foi realizada por espalhamento dinâmico de luz (Dynamic Light Scattering– DLS), e Microscopia de força atômica- MFA. O DLS determina o diâmetro hidrodinâmico médio (Z-Ave), índice de polidispersidade (PdI) e potencial zeta (ZP). As nanopartículas estabilizadas com cisteína apresentaram diâmetro hidrodinâmico médio de 364,3 ± 2,7 nm, índice de polidispersidade de 0,203 ± 0,005 e potencial Zeta (ZP) de −35,7 ± 2,5 mV, indicando elevada estabilidade coloidal quando comparadas ao controle contendo selenito de sódio (731,6 ± 131,1 nm; PdI = 0,566 ± 0,102; ZP = −15,2 ± 1,5 mV) e à solução de cisteína (1219,7 ± 300,2 nm; PdI = 0,635 ± 0,138; ZP = −16,8 ± 6,7 mV). Os resultados demonstram que a interação entre o selênio e a cisteína favoreceu a formação de sistemas nanoestruturados mais homogêneos e estáveis, reduzindo expressivamente a agregação das partículas. A utilização dessas nanoformulações apresenta elevado potencial para aplicações em biofortificação vegetal, podendo contribuir para maior eficiência na disponibilização de selênio às plantas, redução dos riscos de toxicidade e desenvolvimento de alimentos funcionais enriquecidos. Assim, este trabalho reforça o potencial da nanotecnologia aplicada à agricultura como ferramenta inovadora para o desenvolvimento de sistemas sustentáveis de produção e enriquecimento nutricional de alimentos. A aplicação da síntese de nanopartículas de selênio estabilizadas com cisteína demonstrou efeitos positivos em relação ao crescimento de microverdes de beterraba, resultando nos maiores valores médios de comprimento total (68,25 mm), comprimento radicular (33,49 mm), comprimento da parte aérea (34,76 mm) e massa fresca (0,0199 g) por planta em comparação aos tratamentos com água, selenito de sódio e cisteína livre. O tratamento contendo apenas cisteína também apresentou bom desenvolvimento vegetal, com comprimento total médio de 66,37 mm e comprimento da parte aérea de 34,05 mm. Em contraste, o tratamento controle com água apresentou os menores valores médios para comprimento total (57,85 mm), parte aérea (29,84 mm) e massa fresca (0,0145 g). Esses resultados revelam que a nanoformulação de selênio estabilizada com cisteína apresenta potencial para estimular o crescimento inicial de microverdes de beterraba, indicando sua aplicabilidade como estratégia inovadora e promissora de nanobiofortificação.