NaDES como componente estrutural de carreadores lipídicos nanoestruturados de coprodutos do Cerrado: redirecionamento fenotípico em melanoma murino
Solvente eutético natural profundo. Bioeconomia. B16-F10. Microscopia eletrônica. Spondias.
O melanoma é uma neoplasia cutânea agressiva cuja progressão está associada a desequilíbrios redox e remodelamento celular, tornando relevante a investigação de estratégias baseadas em compostos bioativos naturais e sistemas de entrega nanoestruturados. Solventes eutéticos naturais profundos (NaDES) têm sido explorados principalmente como solventes de extração, permanecendo pouco compreendido seu papel como componente estrutural de nanoformulações. Este estudo investigou o papel do NaDES como componente estrutural de carreadores lipídicos nanoestruturados (NLC) sobre a resposta de células de melanoma murino B16-F10, comparando um par de nanoformulações contendo o mesmo extrato de coproduto de taperebá (Spondias mombin L.) e idêntica matriz lipídica, diferindo exclusivamente pela presença do NaDES (NLC-TAP e NLC-TAP-NaDES). De forma complementar, avaliou-se se o padrão de resposta observado se estendia a uma nanoformulação de composição distinta, obtida a partir do coproduto de seriguela (Spondias purpurea L., NLC-SER). A viabilidade celular foi avaliada por ensaio de MTT, e as concentrações citotóxicas medianas (CC₅₀) obtidas (expressas em massa de lipídio por volume: 106,2 µg/mL para NLCTAP, 67,2 µg/mL para NLC-TAP-NaDES e 24,1 µg/mL para NLC-SER) orientaram os ensaios morfológicos, ultraestruturais e de estresse oxidativo, realizados por microscopia óptica, confocal, eletrônica de varredura, eletrônica de transmissão e pela sonda CellROX™ Green. Os NaDES livres preservaram, em geral, a morfologia celular, enquanto sua incorporação à formulação de taperebá esteve associada às alterações mais pronunciadas do estudo. A comparação entre NLC-TAP e NLC-TAP-NaDES revelou que a incorporação do NaDES não intensificou um mesmo padrão de resposta, mas esteve associada a um fenótipo morfológico e ultraestrutural qualitativamente distinto, caracterizado como redirecionamento fenotípico dependente de NaDES. O padrão de remodelação observado nas formulações de taperebá estendeu-se, em menor magnitude, à formulação de seriguela. Os resultados de estresse oxidativo não permitiram estabelecer um efeito antioxidante consistente nas condições avaliadas, compatível com uma possível seletividade dependente de dose e de contexto redox. Esses achados reforçam a relevância de investigar NaDES não apenas como veículos de extração, mas como determinantes ativos do comportamento biológico de nanoformulações, associando valorização de coprodutos do Cerrado, química verde e nanotecnologia no desenvolvimento de plataformas bioativas.