A ESTRATÉGIA DE GEOINTELIGÊNCIA COMO ALIADA PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DA ÁGUA NA TERRA INDÍGENA MUNDURUKU
Geointeligência. Logística na Floresta Amazônica. Crime Organizado. Política Nacional de Recursos Hídricos.
O garimpo ilegal na Amazônia representa uma das principais fontes antrópicas de poluição hídrica, destacando-se pela contaminação por mercúrio (Hg) e pelo aumento crítico da turbidez dos rios. Esta dissertação investiga como as metodologias de geointeligência LOPIS (Localização de Pistas de Pouso) e LOGAR (Localização de Garimpos), desenvolvidas pelo CENSIPAM, podem contribuir para a melhoria da qualidade da água na Terra Indígena Munduruku (TIMU), no Pará. A pesquisa fundamentou-se em métodos bibliográficos, documentais e de
campo, incluindo visitas técnicas a instituições militares e logísticas em Manaus e Anápolis. Utilizou-se a Terra Indígena Yanomami (TIY) como estudo de caso análogo para demonstrar a eficácia da repressão logística na recuperação ambiental. A análise quantitativa na TIMU, realizada por meio de imagens de satélite PlanetScope e do cálculo do Índice de Turbidez por Diferença Normalizada (NDTI), revelou uma correlação positiva moderada (r = 0,39; p < 0,001) entre a expansão das áreas de garimpo e o aumento da turbidez hídrica. Os resultados demonstram que as operações de desintrusão em 2025, orientadas pela geointeligência, impuseram prejuízos de R$ 95,7 milhões ao crime organizado, evidenciando o estrangulamento da cadeia logística aérea como ponto de vulnerabilidade estrutural. Conclui-se que o LOPIS e o LOGAR são instrumentos estratégicos essenciais para a governança hídrica, pois a desarticulação da infraestrutura logística é o passo indispensável para reduzir a pressão poluidora, assegurar a saúde das populações indígenas e cumprir as metas da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).