Pontos de Pesca da Memória no Xingu: trajetórias de águas, terras e gentes em territórios de mariscadores(as)-beiradeiros(as)
Territórios tradicionais; Rio Xingu; Mariscadores-beiradeiros; Memórias; História Oral
A dissertação “Pontos de pesca da memória no Xingu: trajetórias de águas, terras e gentes em territórios de mariscadores(as)-beiradeiros(as)” analisa os impactos- chamados de "baques"- causados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte sobre os modos de vida de populações tradicionais do rio Xingu, no Pará. O trabalho tem como objetivo rememorar e recompor, a partir das narrativas dos mariscadores(as)-beiradeiros(as), os processos de ocupação, ruptura e reorganização territorial dessas comunidades. A pesquisa adota uma abordagem de escrita situada e autoetnográfica, articulando oficinas comunitárias, entrevistas, rodas de conversa e observação participante. Os resultados evidenciam que o barramento do rio provocou deslocamentos forçados, perda dos pontos de pesca, fragmentação territorial e desestruturação das práticas tradicionais de subsistência, afetando profundamente as dimensões das águas, das terras e das gentes. A dissertação também demonstra a invisibilização dessas populações nos processos institucionais de reconhecimento e reparação. Por outro lado, destaca-se a emergência de estratégias coletivas de resistência, como a criação do Conselho Ribeirinho e a construção do Território Ribeirinho, fundamentais para a afirmação identitária e a luta por direitos. A memória coletiva surge como elemento central para a recomposição territorial e para a (re)existência dessas comunidades. O trabalho evidencia que os impactos de Belo Monte são não apenas ambientais, mas também sociais, culturais e epistemológicos.