PRÁTICA DE BIOLOGIA EVOLUTIVA POR ABORDAGEM INVESTIGATIVA: mudanças climáticas, vicariância e evolução das espécies
ensino por investigação, especiação, evolução biológica, mudanças climáticas, sequência didática, vicariância.
O ensino de Evolução Biológica no Ensino Médio brasileiro enfrenta dificuldades recorrentes, como a fragmentação conceitual, a dissociação entre conteúdos de genética, de ecologia e de ambiente, bem como a predominância de abordagens tradicionais. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi de desenvolver, aplicar e avaliar uma Sequência Didática (SD) com metodologia de ensino por investigação para melhorar o ensino de Biologia Evolutiva na escola pública. Nessa SD foram articulados conteúdos de mudanças climáticas, de genética de populações, de vicariância e de especiação, utilizando-se uma maquete tridimensional como recurso didático para simulação de alterações ambientais, como a elevação do nível da água “mar” decorrente de degelo. A SD foi aplicada a 59 alunos de Ensino Médio participantes de pesquisa (distribuídos em três grupos), os quais expressaram suas impressões sobre a prática em questionário semiestruturado (análise quantitativa); um diário de campo do professor-pesquisador (análise qualitativa) foi utilizado para avaliar a SD, que fez também a correção das atividades de SD (análise qualitativa). Foram verificados elevados níveis(71,21%) de avaliação positiva em relação à SD, em todas as questões os alunos escolheram “concordo totalmente”, indicando alto nível de concordância. A partir dos dados qualitativos podemos evidenciar uma progressão de entendimento de conceitos básicos, de engajamento, da participação, e da substituição de explicações finalistas por interpretações baseadas em aspectos de variabilidade genética, pressões ambientais e isolamento geográfico. A análise quali-quantitativa dos dados permite afirmar que a SD propiciou uma melhor compreensão da Evolução Biológica como um processo histórico, que pode ser resultante de mudanças ambientais e da dinâmica das frequências alélicas populacionais, além de promover a aproximação dos estudantes às práticas da metodologia científica. Conclui-se que a abordagem investigativa mediada por modelos didáticos tridimensionais e simulações de processos constitui uma estratégia promissora para o ensino de Biologia Evolutiva, especialmente ao integrar genética de populações, alterações ambientais como as mudanças climáticas e o processo de especiação por vicariância, em nível de Ensino Médio.