Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA DO CARMO LOPES NERY

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA DO CARMO LOPES NERY
DATA : 14/08/2025
HORA: 14:30
LOCAL: Instituto de Artes - UnB
TÍTULO:

AS CONTRIBUIÇÕES DAS ARTES NA EDUCAÇÃO E O IMPACTO NO DESENVOLVIMENTO SUBJETIVO DO ESTUDANTE COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA


PALAVRAS-CHAVES:

 

Palavras-chave: Artes, Transtorno do Espectro Autista, subjetividade, Educação, Inclusão.


PÁGINAS: 72
RESUMO:

 

RESUMO

Nesta pesquisa, meu objetivo é investigar as contribuições das artes para a educação básica – ensino fundamental –anos iniciais, e o impacto no desenvolvimento subjetivo de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo se insere na linha de pesquisa "Processos de Ensino, Aprendizagem e Criação em Artes.”A pesquisa será realizada na Escola Classe 302 Norte, uma instituição pública do Distrito Federal. O público-alvo serão estudantes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e atendidos pela Sala de Recursos Generalista. A escola enfrenta novos papéis e desafios, o que justifica este estudo. A educação tem um papel transformador e pode abrir portas para que estudantes com autismo alcancem a plena cidadania e equidade no processo educativo. Estes indivíduos enfrentam dificuldades nas interações sociais, comunicação e adequação ao contexto escolar, o que contribui para a defasagem no ensino-aprendizagem e limita o acesso ao currículo. A dotarei uma abordagem qualitativa para compreender o acesso ao currículo no processo inclusivo. Realizarei também uma pesquisa bibliográfica, permitindo alcançar os objetivos propostos e aplicando a metodologia adequada.As artes serão estratégias pedagógicas, que dialogarei para aproximar dos meus objetivos, visando encontrar respostas para um processo educativo inclusivo e eficiente na diversidade.

Palavras-chave: Artes, Transtorno do Espectro Autista, subjetividade, Educação, Inclusão.

INTRODUÇÃO

Pensar em mudanças no processo de inclusão é buscar novas estratégias. É adquirir conhecimentos e promover a reflexão sobre a dignidade humana. Isso é essencial para aqueles que estão à margem da sociedade pela falta de igualdade de oportunidades. A observância das singularidades também é parte fundamental para o conhecimento e transformação social.

Neste estudo, busco responder como as artes podem contribuir para o acesso equitativo ao currículo no ensino fundamental I. Considero a subjetividade do estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto escolar.

Esse objeto de pesquisa partiu da minha inquietude e experiência de 15 anos na docência. Durante esse período, atendi alunos com TEA e suas comorbidades. Também orientei o planejamento pedagógico, sempre observando a subjetividade e singularidade dessa clientela. O Atendimento Educacional Especializado na Sala de Recursos Generalista dá suporte aos estudantes com deficiência intelectual (DI), deficiência física (DF), deficiência múltipla (DMU) e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sua função é garantir a acessibilidade e permanência desses estudantes no processo educacional.

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição que altera o neurodesenvolvimento humano. Isso prejudica a organização de pensamentos, sentimentos e emoções. Consequentemente, compromete a comunicação e a interação social do indivíduo. Embora não exista cura, o TEA tem tratamento. Uma equipe multidisciplinar deve atuar em cada dificuldade específica. Isso exige estratégias diferenciadas e adaptadas ao contexto escolar.

Diante desse cenário, as artes emergem como uma possibilidade para propiciar acesso ao currículo comum. Elas criam oportunidades de desenvolvimento de habilidades como criatividade, raciocínio, percepção, domínio motor e oralidade. No processo de ensino aprendizagem, dialogarei com as Artes. O objetivo é alcançar um processo educativo inclusivo e eficiente frente às diversidades.

A Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146 garante que crianças e jovens com deficiência tenham recursos de acessibilidade. Esses recursos potencializam seu desenvolvimento e habilidades. No entanto, o direito à educação pública, gratuita e de qualidade para todos ainda é um grande desafio. Não basta garantir o acesso; é necessário assegurar a permanência e o avanço nas etapas do processo educativo.

JUSTIFICATIVA

No exercício da docência há mais de duas décadas em escolas públicas de ensino fundamental no Distrito Federal, observei desafios contínuos. Uma dessas experiências foi na educação especial, especificamente no Atendimento Educacional Especializado. Diariamente, enfrento um quebra-cabeça no processo de aprendizagem e nas estratégias pedagógicas. O objetivo é garantir que o aluno com Transtorno do Espectro Autista tenha acesso igualitário ao currículo.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aosestudantes currículo, métodos, recursos e organização específicos para atender às suas necessidades. Entende-se que a educação e a inclusão é um direito e não uma faculdade do processo educacional.

Segundo a Constituição Federal a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, e será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O Plano Nacional da Educação –PNE (2001- 2010), destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”.

É notável que a legislação tem buscado garantir o direito a educação para todos com observâncias as individualidades de cada sujeito no processo educacional. É estabelecido que os Estados devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino. Essa garantia assegura que todos os ambientes devem trabalhar com a inclusão, principalmente no contexto escolar, pois é umespaço onde esse indivíduo adquire capacidade acadêmica e é preparado para viver socialmente. O ensino inclusivo é um direito e é dever de toda sociedade aceitar e respeitar as diferenças.

Acredito na escola pública como um espaço para uma educação efetiva. Vejo as artes como uma possibilidade adicional para garantir um acesso equitativo ao currículo. Assim, a pesquisa realizada nesse contexto educativo adquire grande importância e relevância. Com ela viso contribuir para a abordagem das Artes na Educação, destacando tanto as possibilidades quanto os desafios no acesso ao currículo do ensino fundamental nas escolas públicas do Distrito Federal. O foco é observar a subjetividade do estudante com Transtorno do Espectro Autista e identificar caminhos que possam promover avanços significativos em uma educação inclusiva e equitativa.

O papel do professor é desafiador e basilar, pois se estende além dos conhecimentos curriculares. Isso significa transitar entre mediador, mentor, motivador e facilitador desse processo. É na ação/reflexão que o Currículo ganha vida, no cotidiano escolar e na rotina da sala de aula, por meio de um olhar peculiar, criativo, que enxerga não só o campo acadêmico, mas um sujeito com identidade e subjetividade.

O resultado da pesquisa será importante na contribuição para novos conhecimentos que poderão agregar aos materiais didáticos pedagógicos que, em diversas situações de insufiência de estratégias e procedimentos não alcançam as necessidades dos estudantes em sua individaualidade.

METODOLOGIA

A pesquisa em educação permite a reconstrução e construção de novos conhecimentos, bem como a aquisição de habilidades e competências na forma como se articula com a vida prática.

Os sujeitos da pesquisa serão estudantes e professores de escolas públicas do ensino fundamental, anos iniciais, no Distrito Federal. Incluirei também outros profissionais que fazem parte do segmento escolar.

Atendendo a essa tendência e buscando os objetivos da pesquisa serão utilizados como instrumentos: Estudos bibliográficos presentes na literatura, identificação das variáveis da pesquisa, entrevistas semi-estruturadas, coleta de dados, execução de atividades e observações no contexto escolar.

Serão utilizadas adequações de materiais com abordagem na área das artes com adaptação dos objetivos propostos bimestralmente na adequação curricular de 11 estudante com diagnóstico de TEA nas atividades da rotina escolar. A aplicação e observação na execução das atividades propostas serão realizadas 2 vezes por semana com duração de 50 minutos a cada atendimento, na Sala de Recursos Generalista. Os dados e observações serão registrados diariamente.

A aplicação, adequação e observação ocorrerão a partir de setembro de 2024 a julho de 2025. Após esse período, os dados serão conteúdos de reflexão para finalização do Projeto de Pesquisa da dissertação de mestrado

Desenvolverei a pesquisa na abordagem qualitativa, uma vez que buscarei responder sobre as contribuições das artes na educação e seu impacto no processo de aprendizagem do estudante com TEA. Também terá como auxílio a pesquisa bibliográfica, o que permitirá o alcance dos objetivos elencados e a aplicação da metodologia adequada para concretizar um estudo mais sólido e de qualidade.

ASPECTOS ÉTICOS

- Consentimento Informado: Todos os participantes, representados por seus responsáveis quando menores de idade, serão informados previamente sobre os objetivos da pesquisa e darão seu consentimento por escrito por meio de assinatura.

Confidencialidade: As informações e os dados coletados serão armazenados de forma segura e utilizados para observação, escrita e reflexão na finalização da pesquisa de mestrado.

Benefícios e Riscos: A pesquisa não apresenta riscos para os participantes e poderá propiciar avanços significativos no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem entre os sujeitos do ensinar e aprender, bem como no processo inclusivo e pluriversal.O risco pode ser meu de não atingir os objetivos desejados.

DISCUSSÕES DOS RESULTADOS

1. Análise das Contribuições das Artes no Ensino Fundamental

1.1- Impacto no Desenvolvimento Cognitivo e Emocional: Avaliar como as artes influenciam o desenvolvimento cognitivo e emocional dos estudantes, especialmente aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Discutir se e como as atividades artísticas contribuem para a melhoria da comunicação, interação social e habilidades acadêmicas.

1.2- Acesso Equitativo ao Currículo: Analisar como a integração das artes pode facilitar o acesso equitativo ao currículo para todos os estudantes. Considerar a eficácia das práticas artísticas na promoção da inclusão e na adaptação dos conteúdos curriculares às necessidades individuais dos estudantes com TEA.

2. Desafios Identificados na Implementação

2.1- Barreiras na Prática Docente: Discutir os desafios enfrentados pelos professores ao incorporar as artes no processo de ensino. Identificar dificuldades na formação de professores, recursos disponíveis e na adaptação das práticas pedagógicas.

2.2- Aspectos Institucionais e Administrativos: Examinar como a gestão escolar e as políticas educacionais influenciam a implementação das artes no currículo. Avaliar a adequação das políticas de inclusão e a disponibilidade de suporte para professores e estudantes.

3. Percepções dos Participantes

3.1- Experiências dos Estudantes: Analisar como os estudantes, especialmente aqueles com TEA, percebem e reagem às atividades artísticas. Discutir as mudanças observadas nas suas interações sociais e no envolvimento com o currículo.

3.2- Feedback dos Professores e Profissionais: Avaliar as percepções dos professores e outros profissionais da escola sobre a eficácia das artes comoestratégias pedagógicas. Identificar as práticas que funcionam bem e as áreas que necessitam de melhorias.

4. Impacto na Subjetividade do Estudante com TEA

4.1- Mudanças na Autoestima e Identidade: Investigar se e como a participação em atividades artísticas influencia a autoestima e a identidade dos estudantes com TEA. Discutir se as artes oferecem uma forma de expressão que contribui para a construção positiva da autoimagem.

4.2- Integração Social e Participação: Analisar a contribuição das artes para a integração social dos alunos com TEA. Avaliar se essas atividades promovem uma maior participação nas atividades escolares e sociais.

5. Implicações para a Prática Educacional

5.1- Recomendações para Melhoria: Propor recomendações baseadas nos resultados para melhorar a integração das artes no currículo. Considerar sugestões para formação docente, desenvolvimento de recursos e apoio institucional.

5.2- Perspectivas Futuras: Discutir as possíveis direções para futuras pesquisas e práticas educacionais relacionadas ao uso das artes na educação inclusiva. Avaliar como os resultados podem informar políticas educacionais e práticas pedagógicas.

CONCLUSÕES

A escola comum se torna inclusiva quando reconhece as pluriversidades (Noguera, 2012) dos estudantesdiante do processo educativo e busca a participação e o progresso de todos, adotando novas práticas pedagógicas. Não é fácil e imediata a adoção dessas novas práticas, pois ela depende de mudanças que vão além da escola e da sala de aula. “Para que essa escola possa se concretizar, é patente a necessidade de atualização e desenvolvimento de novos conceitos, assim como a redefinição e a aplicação de alternativas e práticas pedagógicas e educacionais compatíveis com a inclusão” (ROPOLI, 2010, p.9.)

A educação é um ato de conhecimento e transformação para o bem comum, pois é no espaço escolar que está presente apluriversidadee a convivência nos círculos sociais, empreendendo e se legitimando na compreensão de si mesmo e do outro.

Todo ser humano é singular, e as especialidades dos indivíduos com TEA, não os fazem inferiores aos demais. A pluriversidade é necessária em uma sociedade, e por isso buscamos o respeito a ela através do conhecimento. Nesse sentido, conclui Santos (1995) que devemos ter o direito de sermos distintos quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza.

Todo ser humano é singular, e as características dos indivíduos com TEA não os tornam inferiores aos demais. A pluriversidade é essencial para uma sociedade, e é por isso que buscamos respeitá-la por meio do conhecimento. Nesse sentido, Santos (1995) conclui que devemos ter o direito de sermos distintos quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza.

Por fim, as reflexões desta pesquisa podem abrir caminho para novas investigações e perspectivas. Elas podem gerar novos conhecimentos e orientar novos caminhos na educação. Esses avanços devem proporcionar mais segurança e eficácia para os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, refletindo mudanças sociais significativas.

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MEMBROS DA BANCA:
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Notícia cadastrada em: 15/07/2025 21:57
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