A DANÇA NA ESCOLA COMO ÁREA DO SABER PARA AUTONOMIA POÉTICA, SOCIAL E POLÍTICA DE ADOLESCENTES PERIFERIZADOS
Palavras-chave: Dança na escola. Transformação social. Dança e periferia. Autonomias do corpo.
RESUMO:
Nesta pesquisa investigo de que forma (quais metodologias) a Dança, enquanto área de saber, precisa acontecer nas escolas públicas, quais possibilidades de construção e processos possíveis em sala de aula para assegurar que o ensino da Dança seja crítico, libertador, inclusivo e sensível - principalmente em áreas marginalizadas e periferizadas - de modo a contribuir para a construção de identidades, fortalecimento comunitário, a valorização e o reconhecimento das singularidades dos estudantes, potencializar a expressão criativa, a consciência política e a resistência às marginalizações dos estudantes, além de identificar quais os desafios (estruturais, ideológicos, pedagógicos, entre outros) para a implementação dessa Dança como método de transformação social. Justifico essa pesquisa pela necessidade de abordagens pedagógicas que reconheçam a Dança como método de empoderamento e crítica social, unindo arte e educação em áreas urgentes do Brasil, assim como discutir a função política da Dança além do entretenimento, podendo também contribuir para Políticas Públicas de Arte-educação focado em áreas marginalizadas e invisibilizadas pela estrutura histórico-social ao longo dos anos. O objetivo geral consiste em compreender e analisar criticamente como o ensino da Dança pode desenvolver/potencializar as autonomias poética, social e política em adolescentes periferizados. Tendo como objetivos específicos analisar e propor metodologias de ensino da Dança alinhadas a pedagogias críticas; mapear os impactos da Dança na autoestima, expressão identitária e organização coletiva dos estudantes e propor estratégias de superação dos desafios na implementação da Dança em escolas públicas e a sua democratização. Esta pesquisa é de natureza qualitativa, com elementos de pesquisa-ação - com intervenção prática na escola - por meio das aulas na oficina de Dança, registro em diários de campo, vídeos, depoimentos, entrevistas semiestruturadas com os estudantes, professores e gestores e reflexão sobre as produções artísticas dos participantes. A pesquisa é realizada com os estudantes matriculados na Oficina de Dança, sendo 3 turmas no período vespertino, totalizando aproximadamente 100 discentes com idades entre 11 e 18 anos, realizada na Escola Parque Anísio Teixeira - Ceilândia/DF. Analiso os dados a partir de uma abordagem crítica libertadora (Freireana) e fenomenológica (Merleau-Ponty) dos processos e experiências vividos em sala de aula, identificando temas recorrentes nas falas, experiências, vivências, relacionando com os autores que embasam a investigação desta pesquisa, como Paulo Freire, Merleau-Ponty, Bell Hooks, Laban, Isabel Marques, Márcia Almeida, entre outros autores. Como resultado, espero demonstrar como a Dança pode contribuir para a formação cidadã, para a autoestima e o ativismo de adolescentes, como amplia a capacidade expressiva e crítica fortalecendo vínculos comunitários e noções de coletividade e gerar reflexões pedagógicas para professores com estratégias freirianas aplicadas ao ensino da Dança. Esta pesquisa é norteada por três eixos, são eles: (Dança) Educação libertadora; Autonomias do corpo e Dança e sociedade. Por fim, a pesquisa contribui para a produção de conhecimento sobre práticas de ensino da Dança críticas, sensíveis e libertadoras, fortalece a Dança como componente curricular estruturado e sistematizado na educação pública e valoriza a arte como meio de transformação social, especialmente para indivíduos historicamente marginalizados.