A Dança na construção do protagonismo estudantil no Ensino Médio
Palavras-chave: acuidade corporal; dança; educação básica; protagonismo estudantil; saber sensível.
RESUMO
Esta dissertação, intitulada “A Dança na construção do protagonismo estudantil no ensino médio”, vincula-se ao Programa de Pós-Graduação Profissional em Artes da Universidade de Brasília. O meu interesse por esta pesquisa surgiu da observação, enquanto professora da educação básica, acerca da dificuldade dos estudantes em se expressar em público, uma habilidade constantemente exigida nos âmbitos social, acadêmico e profissional. Identifiquei que esse despreparo está relacionado a uma lacuna na autopercepção corporal, uma vez que os estudantes, em geral, não reconhecem o corpo como totalidade integrante de sua expressão e identidade. Tal percepção agravou-se no cenário pós-pandêmico, evidenciando a carência de propostas pedagógicas aplicáveis à realidade das escolas públicas de ensino regular. Diante desse contexto, tenho como objetivo central nesta pesquisa, apresentar um material pedagógico estruturado a partir de processos corporais artísticos e metodológicos ancorados na Dança. Minha intenção é oferecer subsídios para futuros estudos e práticas de ensino voltadas à educação pela experiência e pelo sensível. Para tanto, assumi uma abordagem metodológica artística qualitativa e experiencial, participando ativamente das práticas, como professora-pesquisadora, percebendo o corpo como ator da escuta, construção relacional de aprendizagem e análise. A investigação foi realizada com estudantes do ensino médio, como parte dos Itinerários Formativos, em escolas da rede pública vinculadas à Coordenação Regional de Educação da Ceilândia/DF. As atividades ocorreram duas vezes por semana, em aulas de noventa minutos, totalizando três horas semanais. Os registros foram feitos por meio de diários de bordo, meu e dos estudantes, além de fotos e vídeos das práticas, posteriormente utilizados na análise dos dados. Somaram-se a esses instrumentos as anotações extraídas das rodas de conversa realizadas no início e ao final de cada encontro. Os resultados indicaram avanços consideráveis na autoestima dos participantes e no desenvolvimento da acuidade corporal, compreendida como a capacidade de expressar-se por meio da gestualidade. Observei, ainda, maior confiança e conforto dos estudantes para posicionarem-se criticamente diante de sua realidade, bem como aprimoramento da criatividade artística e da fruição estética. As reflexões foram aprofundadas a partir de conversas com autores que refletem sobre o corpo e a Dança, tais como Marcia Almeida, Laban e José Gil, e com pensadores do campo filosófico, como Merleau-Ponty, Mauss, Noguera e Ramose. O referencial teórico também incorpora contribuições das Artes, por meio de Dewey e Schiller, e da educação, a partir de Freire, hooks, Larrosa e dos textos da Base Nacional Comum Curricular. Desse modo, nesta pesquisa proponho reflexões sobre o ensino da Dança e das Artes nos âmbitos cultural e pedagógico, partindo de uma experiência concreta na educação básica. Pretendo, com isso, contribuir para o fomento da pesquisa em Arte-Educação no Brasil e para o desenvolvimento de materiais e práticas futuras que valorizem a educação da Dança pela experiência e a formação integral do estudante.