OLHA A GRANDE RODA: ESPETACULARIDADES, MANUTENÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE SABERES E DE AFETOS EM QUADRILHAS JUNINAS DO DISTRITO FEDERAL
Universo, Quadrilhas Juninas Etnocenologia, Espetacularidades, Diálogo, manutenção e disseminação de saberes e de afetos, Manifestações culturais tradicionais.
Esta pesquisa analisa espetacularidades e produções de saberes e de afetos existentes nas Quadrilhas Juninas do Distrito Federal. O foco está nos processos criativos de Casais de Noivos e Marcadores, que são as figuras centrais dessa tradicional manifestação cultural brasileira. Para tanto, este trabalho dialoga com Casais de Noivos
e Marcadores de três Grupos que se consagraram campeões dos circuitos promovidos pelas suas entidades representativas em 2024. São eles: Arroxa o Nó, Pau Melado e Si Bobiá a Gente Pimba. A investigação destaca a Quadrilha Junina como uma linguagem de natureza pluriepstemológica e espaço pedagógico interdisciplinar capaz de promover diálogos genuínos e que, apesar das aparentes semelhanças com outras linguagens artísticas atribuídas pelo senso popular, possui características próprias e específicas do seu fazer. Considerando isso, a pesquisa partiu da seguinte problemática: como as Quadrilhas Juninas do Distrito Federal, consideradas as suas espetacularidades, seja nos momentos que antecedem o contato com o público, nos processos de criação artística e de ensaios das/os brincantes, seja nos momentos de apresentações, junto às plateia, se fazem espaços educativos e formativos de construção, manutenção e disseminação de saberes e de afetos, e, consequentemente, prática artística capaz de transformar, positivamente, realidades de Quadrilheiras/os pertencentes a elas? O processo parte de um resgate afetivo, amoroso e emocionado das minhas trajetórias de artista, educador e pesquisador das artes da cena, haja vista que vivenciei, em alguns aspectos ainda vivencio, este Universo das Quadrilhas Juninas em múltiplas dimensões, tais como: quadrilheiro, avaliador, coordenador de avaliação em circuitos competitivos e palestrante formador em cursos promovidos por instituições juninas. Por conhecer de perto o interior e as adjacências desse Universo, busco estabelecer um diálogo acadêmico fundamentando na Etnocenologia. Essa perspectiva, humana, dialógica e disruptiva, orienta a metodologia da pesquisa, valorizando as identidades, saberes e fazeres dos Quadrilheiros/as, cujas vozes e vidas, metaforicamente, fazem a grande roda desse Universo girar, evoluindo para outras formações que dinamizam, valorizam erenovam essa rica manifestação cultural.