O CORPO DA MULHER NEGRA E SUA EXPRESSÃO VISUAL
Palavras-chave: corpo negro feminino; educação antirracista; feminismo negro; fenomenologia; regimes visuais.
Minha dissertação pesquisa como o ensino de artes visuais reflete sobre o corpo negro feminino como lugar de saber e de criação no espaço escolar. Vincula-se ao Mestrado Profissional em Artes da Universidade de Brasília (PROFARTES/UnB), na linha de Processos de Ensino, Aprendizagem e Criação em Artes. Minha pesquisa articula feminismo negro, fenomenologia merleau-pontyana e educação antirracista, tendo como ponto de partida o pressuposto de que regimes visuais hegemônicos hierarquizam corpos, produzem invisibilidades e sustentam desigualdades raciais e de gênero. A questão central examina de que maneira as práticas pedagógicas em artes visuais podem reconhecer o corpo negro feminino como instância produtora de saber e de criação, desestabilizando as representações coloniais no ambiente escolar. Os objetivos específicos são: (i) analisar como o cânone artístico ocidental hierarquiza e exclui repertórios visuais referentes ao corpo negro feminino; (ii) examinar produções de artistas negras contemporâneas que reconhecem esse corpo como pessoa criadora e epistêmica; e (iii) identificar como estudantes do Ensino Médio percebem e se relacionam com as figurações visuais do corpo negro feminino. A pesquisa é de natureza qualitativa. Adota como método a sistematização de experiências segundo Holliday (2006). A intervenção pedagógica foi realizada entre abril e junho de 2025, em 11 encontros com uma turma do 3º ano do Ensino Médio do Centro de Ensino Médio Setor Leste, escola pública em Brasília, Distrito Federal. Participaram 20 dos 35 estudantes da turma. Os dados foram produzidos por meio de diário de campo, gravações em áudio, fotografias e produções estudantis, com atenção às vivências corporais, às imagens e às práticas expressivas. No contexto da interveção, os resultados indicam três movimentos articulados: a dissociação entre teoria e experiência sensível; a afetação corporal como via de reconhecimento crítico e de produção autônoma de conhecimento situado, a partir da identificação visual direta com artistas negras. Minha pesquisa mostra, neste recorte, que estudantes do Ensino Médio percebem e elaboram visualidades do corpo negro feminino quando as condições pedagógicas lhes dão espaço para isso. No plano das contribuições, a sistematização de experiências opera como instrumento de produção reflexiva, ancorada na prática de professoras e professores, e oferece uma sequência pedagógica de referência para professoras e professores interessados na incorporação do feminismo negro ao ensino de artes visuais. Como limites, destacam-se a duração da intervenção, as lacunas documentais e as restrições interpretativas decorrentes da posição racial da pesquisadora, que se identifica como branca e feminista. Pesquisas futuras podem aprofundar a escuta de estudantes negras e ampliar intervenções de maior duração.
Palavras-chave: corpo negro feminino; educação antirracista; feminismo negro; fenomenologia; regimes visuais.