Banca de DEFESA: CARLOS JOSÉ MACHADO MENEZES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : CARLOS JOSÉ MACHADO MENEZES
DATA : 05/06/2026
HORA: 16:00
LOCAL: centro de convivência negra Lélia Gonzales
TÍTULO:

MAMULENGO NA RUA E NA ESCOLA EM UMA PERSPECTIVA ANTIRRACISTA


PALAVRAS-CHAVES:

Palavras-chave: Antirracismo; Anarquismo; Mamulengo; Cultura Popular.


PÁGINAS: 120
RESUMO:

Esta dissertação aborda o Mamulengo como uma brincadeira de bonecos popular, tradicional e afro-brasileira. Baseei o estudo nos relatos orais de mestres com os quais convivi e aprendi. Também na literatura de autores negros brasileiros e africanos, na minha própria vivência como homem negro, mamulengueiro e educador, tendo como chave analítica o pensamento e a prática histórica anarquista. Parto da premissa de que o racismo estrutural, enraizado desde a escravidão, permeia as instituições e relações sociais no Brasil, incluindo a escola, que considero um espaço de disciplinamento capitalista em que subjetividades racistas são perpetuadas, por meio do apagamento da história e do silenciamento das pessoas negras. Busco rememorar a origem afro-brasileira do Mamulengo e argumento que essa brincadeira é nascida na senzala, carrega memórias, conhecimentos ancestrais e devires, com potencial para desafiar a narrativa eurocêntrica ainda vigente. Procuro refletir sobre os desafios, as possibilidades e as contradições dos ofícios que eu acumulo, de mamulengueiro e educador, encontrando nas figuras do akpalô e do griô referências inspiradoras. Busco uma zona de intersecção entre os dois ofícios no brincar, na brincadeira. Também as práticas de terreiros de Candomblé e de outras manifestações negras, espirituais ou não, que servem para compor um mosaico afro-brasileiro importante para me ajudar a compreender o Mamulengo, a escola e o mundo. Além disso, estabeleço um diálogo entre o anarquismo, quilombos e o comunalismo africano buscando nessas filosofias e práxis ferramentas para analisar a realidade e desenvolver um Mamulengo antirracista, seja para brincar, ensinar e aprender, em praças ou escolas. Entendo que o Mamulengo não é a priori antirracista, mas carrega em si potencialidade. Defendo a importância de se valorizar a história e a ancestralidade do Mamulengo, para que ele continue a ser um instrumento de resistência, criação e liberdade. Escrever sobre o Mamulengo é, para mim, um ato de compromisso com a luta pelo direito à re-existência negra e de todos os não-brancos. É reconhecer a importância do riso e da brincadeira popular como estratégias de insurgência.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1141069 - ANGELA BARCELLOS COELHO CAFE
Externa ao Programa - 2245773 - FRANCIANE SALGADO DE PAULA - UnBExterno à Instituição - ANDRÉ CARRICO - UFRN
Externo à Instituição - JAILSON ARAÚJO CARVALHO
Notícia cadastrada em: 25/06/2026 11:28
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