Refletir sobre educação, profissionalização e trabalho de forma lúdica com adolescentes do sistema socioeducativo: ações e questões possíveis com um jogo de tabuleiro (Brasília, 2012-2024)
Socioeducação; Direitos Sociais; Ludicidade; Jogos em Contextos Educacionais
Na perspectiva de uma prática socioeducativa conectada com a educação, a profissionalização e o trabalho, este estudo direciona o olhar sobre as ações lúdicas no ambiente socioeducativo com o objetivo principal de compreender como as práticas implementadas na Unidade de Internação Feminina do Gama, Distrito Federal, promovem a reflexão sobre os direitos sociais. O conhecimento sobre esses direitos, mesmo estando na essência da educação, torna-se imprescindível pela importância que os direitos sociais exercem na vida dos indivíduos, principalmente do(a) jovem na iminência de retornar ao convívio em sociedade. No que toca ao movimento desta pesquisa e análise realizada, a investigação se subdivide entre a pesquisa de campo na unidade feminina de meio fechado e a pesquisa bibliográfica, que traz um recorte de doze anos, de 2012 a 2024, considerando a instituição do SINASE em 2012. A intenção aqui delimitada tem aporte teórico em visões conceituais sobre Socioeducação e sobre o brincar e suas dimensões: ludicidade e jogos. Com intuito de materializar os conceitos propostos e proporcionar reflexão, ação, interação, lazer, conhecimento e troca de experiências para convivências afetivas e sociais, este trabalho confeccionou um jogo de tabuleiro e cartas intitulado “SuperAção: um desafio de outro mundo”. A pretensão inicial com esse recurso lúdico é que as adolescentes aprendam sobre temas relacionados à profissionalização, ética, cultura, direitos e deveres fundamentais, na perspectiva de que sejam associados à vida em sociedade, para que seja possível compreender e resolver situações no âmbito pessoal, familiar e comunitário. O caminho metodológico percorrido neste estudo é qualitativo, com pesquisa bibliográfica e documental, sendo feita observação e estudo de campo, com entrevista semiestruturada. As análises evidenciaram que, apesar de ainda serem insuficientes, as práticas implementadas nas unidades socioeducativas do Distrito Federal permitem interação e troca de experiências significativas. Já os resultados das entrevistas e dos questionários, após a aplicação do jogo, indicaram proatividade, participação e interesse para aprender mais sobre direitos sociais. Desse modo, os resultados levam à compreensão de que, apesar da complexidade intrínseca ao Sistema Socioeducativo, foi possível proporcionar aos(às) adolescentes acesso à educação e à cultura, sendo esses elementos, entre outros, imprescindíveis ao entendimento sobre direitos e deveres necessários para o exercício da cidadania. E o jogo de tabuleiro se configurou como mais uma oportunidade de trabalhar questões do universo educativo e profissional, mas de forma lúdica.