CONCEPÇÕES DE ALFABETIZAÇÃO: o que as práticas de ensino evidenciam?
Alfabetização. Sistema de Escrita Alfabética. Letramento. Políticas Públicas de Formação Docente e Práticas de Ensino
Esta dissertação, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado Profissional) da Universidade de Brasília, investiga as concepções de alfabetização que atravessam políticas públicas e se materializam nas práticas de ensino, tomando como problema a questão: o que as práticas de ensino evidenciam sobre tais concepções? A pesquisa articula três estudos complementares: 1) uma análise autobiográfica e reflexiva da trajetória profissional da professora‑pesquisadora em turmas de alfabetização e na Equipe Especializada de Apoio à Aprendizagem; 2) estudo bibliográfico‑documental de políticas federais de alfabetização no Brasil (1988–2026), com foco em concepções, formação docente e dispositivos de avaliação/regulação por números, complementado por entrevistas com professoras; e 3) um estudo de campo com duas professoras do 1º ano do ensino fundamental em escola pública do Distrito Federal, com entrevistas semiestruturadas e observações de aulas. O corpus foi submetido à análise de conteúdo e interpretado à luz de referenciais sobre alfabetização, letramento e trabalho docente. Os resultados mostram que as concepções de alfabetização são historicamente disputadas, não se apresentam de forma pura e emergem, nas práticas, como arranjos híbridos que combinam ênfases técnico‑normativas no Sistema de Escrita Alfabética com perspectivas discursivas e socioculturais de alfabetizar letrando. Evidenciam-se, ainda, efeitos de performatividade e responsabilização associados a políticas de avaliação e monitoramento, que tensionam a autonomia docente e incidem sobre o cotidiano escolar