Banca de DEFESA: POLIANA DE BRITO RIBEIRO REIS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : POLIANA DE BRITO RIBEIRO REIS
DATA : 18/09/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Híbrida - Sala de Situação de Saúde do DSC/FS/UnB e Google Meet
TÍTULO:

OS FATORES ASSOCIADOS AO TRATAMENTO TARDIO E INADEQUADO DE MALÁRIA FALCIPARUM NA AMAZÔNIA BRASILEIRA: UM ESTUDO TRANSVERSAL


PALAVRAS-CHAVES:

Malária; Plasmodium falciparum; Epidemiologia; Tratamento.


PÁGINAS: 100
RESUMO:

INTRODUÇÃO: A malária, embora tratável, constitui uma doença complexa e resiliente que acompanha a humanidade há mais de 500 mil anos, afetando especialmente populações vulneráveis devido à escassez ou à ineficiência das ações de controle. O tratamento oportuno e adequado não apenas previne internações e óbitos, como também contribui para a interrupção da cadeia de transmissão, ao eliminar, prevenir ou reduzir a presença de gametócitos no sangue periférico dos pacientes. No caso da malária por Plasmodium falciparum, a segunda espécie mais prevalente no Brasil e associada às formas graves da doença, a geração de gametócitos ocorre entre sete e doze dias após o início dos sintomas. A persistência de casos dessa espécie em determinado território pode refletir deficiências no acesso e na qualidade dos serviços de diagnóstico e tratamento, bem como fragilidades na sustentabilidade das ações de controle. Assim, investigar os fatores associados ao tratamento tardio e inadequado é fundamental para subsidiar intervenções direcionadas às populações mais atingidas. OBJETIVOS: Descrever o cenário epidemiológico da malária por P. falciparum e analisar os fatores associados ao tratamento tardio e inadequado nos estados e municípios com maior transmissão na Amazônia brasileira. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, transversal, com abordagem descritiva e analítica, baseado em dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica – Malária (Sivep-Malária), referentes ao período de 2020 a 2023. Foram incluídos casos registrados nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, bem como nos municípios prioritários para malária falciparum, com ênfase em indicadores relacionados ao tratamento. RESULTADOS: No período analisado, foram registrados 82.714 casos de malária falciparum nos estados estudados. O Amazonas concentrou a maior proporção de notificações, e o Amapá apresentou o menor número de casos. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (58,8%), com idade entre 10 e 19 anos (21,3%), indígenas (49,5%) e com baixa escolaridade – até o quinto ano incompleto (23,1%) ou sem escolaridade formal (19,2%). Nenhum estado alcançou a meta de tratar pelo menos 70% dos casos sintomáticos em até 24 horas, embora a adequação do tratamento tenha melhorado ao longo do período, atingindo 92,9% em 2023. Foram identificados 22 municípios prioritários, principalmente no Amazonas (45,5%). A distribuição dos casos nesses municípios seguiu perfis demográfico e socioeconômico similares aos observados na análise estadual. Em relação à oportunidade de tratamento, nenhum dos municípios alcançou em todos os anos a meta de 70% dos casos tratados dentro do tempo oportuno, embora Barcelos (97,8%), Iracema (96,4%) e Porto Grande (96,1%) tenham apresentado melhores índices de adequação terapêutica. A análise dos fatores associados ao tratamento tardio e inadequado evidenciou maior prevalência de atraso terapêutico e inadequação entre adultos, especialmente a partir dos 20 anos, enquanto crianças apresentaram maior oportunidade e adequação do tratamento. Indivíduos indígenas tiveram melhores indicadores, enquanto registros sem informação sobre raça/cor mostraram piores resultados. Mulheres apresentaram menor prevalência de atraso, mas maior probabilidade de tratamento inadequado. Rondônia, Acre e Pará destacaram-se com elevada prevalência para ambos os desfechos. Temporalmente, houve estabilidade na ocorrência de atraso, exceto em 2022, e redução expressiva de tratamentos inadequados após 2020. Níveis mais elevados de escolaridade não se mostraram protetores, estando associados a maior prevalência dos desfechos. Ocupações como garimpo, turismo e trabalho doméstico apresentaram maior prevalência de atraso e inadequação, enquanto caça/pesca e ausência de ocupação mostraram efeito protetor. A busca ativa de casos e o uso de testes rápidos estiveram associados a menor prevalência de atraso e inadequação, reforçando a importância do diagnóstico oportuno. DISCUSSÃO: Os resultados evidenciam desigualdades sociais, demográficas, geográficas e institucionais que comprometem a oportunidade e a qualidade do tratamento, impactando negativamente os esforços de controle e eliminação da doença. Apesar das limitações do uso de dados secundários, como ausência de variáveis clínicas detalhadas, a análise permitiu identificar associações relevantes entre variáveis independentes e os desfechos terapêuticos. CONCLUSÃO: O tratamento oportuno e adequado continua sendo central estratégia para a interrupção da transmissão da malária e para o alcance da meta de eliminação no Brasil até 2035. Políticas públicas devem ser integradas, intersetoriais e adaptadas às especificidades regionais, priorizando as populações mais atingidas.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ANIELLE DE PINA COSTA - UFF
Externa ao Programa - 484663 - ELISABETH CARMEN DUARTE - UnBPresidente - 1682856 - JONAS LOTUFO BRANT DE CARVALHO
Externo à Instituição - KLAUSS KLEYDMANN SABINO GARCIA - MS
Notícia cadastrada em: 11/09/2025 17:28
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