ANÁLISE DA ESTRATÉGIA DE RASTREAMENTO DE CONTATOS COM USO DO GO.DATA NO BRASIL
Busca de Comunicante– Vigilância em Saúde Pública- Software
O rastreamento de contatos é uma estratégia essencial no controle de doenças transmissíveis, que visa realizar diversas ações direcionadas a pessoas expostas, permitindo a interrupção de novas cadeias de transmissão. Trata-se de uma estratégia complexa, que precisa estar aliada a diversos fatores para ser implementada de forma oportuna e alcançar resultados exitosos. A estratégia apresenta diferentes formas de implementação e, nos últimos cinco anos, houve avanços significativos com a utilização de novas tecnologias. Uma dessas ferramentas é o software Go.Data, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos (GOARN), que se tornou uma aliada na operacionalização e implementação dessa estratégia.
Esta dissertação tem como objetivo descrever e analisar experiências brasileiras de rastreamento de contatos com a utilização do Go.Data, buscando identificar boas práticas, desafios e documentar experiências que possam subsidiar futuras implementações ou aprimoramentos. Adotou-se uma metodologia de abordagem quantitativa, baseada na análise de dados secundários previamente registrados na ferramenta, com foco nas experiências dos municípios de Florianópolis (SC) e Belo Horizonte (MG), os primeiros municípios do país a implementarem o Go.Data em sua própria infraestrutura. Em Florianópolis, o recorte de dados relacionado ao rastreamento da COVID-19 abrange o período de agosto de 2021 a dezembro de 2024. No caso da Mpox, o recorte considerado vai de junho de 2022 a dezembro de 2024. Em Belo Horizonte, os dados referentes à COVID-19 correspondem ao período de abril de 2022 a dezembro de 2023, enquanto, para a Mpox, o recorte de dados analisado vai de julho de 2022 a dezembro de 2024.
A análise envolveu o mapeamento e a padronização das variáveis presentes nos bancos de dados de casos, contatos, relacionamentos, eventos, seguimento de contatos, usuários e backups. Foram consideradas tanto variáveis comuns aos dois municípios quanto variáveis específicas, resultantes de customizações locais adaptadas aos diferentes contextos de investigação. O tratamento dos dados incluiu processos de padronização, categorização e verificação de completitude, além da produção de visualizações gráficas que facilitaram a análise exploratória. Os resultados preliminares indicam que o uso de tecnologias no rastreamento de contatos, como o Go.Data, possibilitou a coleta, a padronização e a visualização das informações de casos e contatos em tempo real, de forma sistematizada.