Banca de DEFESA: PABLO SANTINI CARDOSO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : PABLO SANTINI CARDOSO
DATA : 11/09/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Teams
TÍTULO:

MORTALIDADE POR SUICÍDIO COM TRANSTORNOS MENTAIS REGISTRADOS COMO CAUSA MÚLTIPLA DO ÓBITO NO BRASIL: UM ESTUDO DE SÉRIES TEMPORAIS ENTRE 2012 E 2024.


PALAVRAS-CHAVES:

Suicídio; Mortalidade; Transtornos Mentais e Comportamentais; Causas Múltiplas de Morte; Estudos de Séries Temporais; Sistemas de Informação em Saúde.


PÁGINAS: 100
RESUMO:

Introdução: A mortalidade por suicídio constitui importante problema de saúde pública no Brasil, com diferenças segundo sexo, faixa etária, raça/cor e região de residência. Embora as estatísticas oficiais de mortalidade sejam tradicionalmente organizadas a partir da causa básica do óbito, a análise das causas múltiplas permite identificar condições associadas registradas na Declaração de Óbito, incluindo transtornos mentais e comportamentais. Essa abordagem pode ampliar a caracterização epidemiológica dos óbitos por suicídio e contribuir para a vigilância e a qualificação da informação em saúde. Objetivo: Analisar a tendência temporal da mortalidade por suicídio e da mortalidade por suicídio com menção de transtornos mentais e comportamentais nas causas múltiplas de óbito no Brasil, entre 2012 e 2024, em indivíduos com 20 anos ou mais. Métodos: Foi realizado estudo ecológico de séries temporais com microdados do Sistema de Informações sobre Mortalidade. Foram incluídos óbitos de residentes no Brasil, com 20 anos ou mais, cuja causa básica foi classificada nos códigos X60 a X84 da 10ª Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. A presença de transtornos mentais e comportamentais foi pesquisada nas linhas destinadas ao registro das condições e causas do óbito, mediante o critério operacional adotado no processamento das séries analisadas. Foram excluídos registros com sexo ignorado ou idade ignorada. Foram calculadas frequências absolutas e relativas, taxas padronizadas por idade e intervalos de confiança de 95%, utilizando-se como população padrão a estrutura etária do Brasil em 2022. As análises descritivas consideraram sexo, faixa etária, raça/cor, região de residência e grupos diagnósticos. As tendências temporais foram estimadas por regressão por pontos de inflexão, com cálculo da variação percentual anual, da variação percentual anual média e dos respectivos intervalos de confiança de 95%. Resultados: Entre 2012 e 2024, foram registrados 158.736 óbitos por suicídio entre residentes no Brasil com 20 anos ou mais, dos quais 125.886 ocorreram entre homens e 32.850 entre mulheres. Foram identificados 8.321 óbitos com menção de transtornos mentais e comportamentais nas causas múltiplas, sendo 5.438 entre homens e 2.883 entre mulheres. Esses registros corresponderam a 5,2% dos suicídios no período; a participação proporcional foi de 4,3% entre homens e de 8,8% entre mulheres. A taxa padronizada de mortalidade por suicídio passou de 7,16 óbitos por 100 mil habitantes, em 2012, para 10,13, em 2024, com tendência crescente no período total (AAPC = 3,29%; IC95%: 2,10 a 4,50). A taxa padronizada de mortalidade por suicídio com menção de transtornos mentais e comportamentais passou de 0,25 para 0,70 óbitos por 100 mil habitantes, também com tendência crescente (AAPC = 8,50%; IC95%: 6,67 a 10,35). As taxas padronizadas foram numericamente mais elevadas nas regiões Sul e Centro-Oeste. Entre os grupos diagnósticos, os transtornos do humor, neuróticos, relacionados ao estresse e somatoformes (F30–F48) foram identificados em 4.851 registros, e os transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas (F10–F19), em 3.124 registros. Os demais transtornos, compreendendo F00–F09, F20–F29 e F49–F99, foram identificados em 1.028 registros. Produtos da dissertação: Foram elaborados um artigo científico sobre os achados epidemiológicos e as tendências temporais e uma Nota Técnica com recomendações para a qualificação do preenchimento da Declaração de Óbito e para o uso das causas múltiplas no monitoramento da mortalidade por suicídio. Conclusão: Os resultados indicaram crescimento da mortalidade por suicídio no Brasil entre 2012 e 2024 e aumento mais acentuado da mortalidade por suicídio com menção de transtornos mentais e comportamentais nas causas múltiplas. Esses achados podem refletir tanto mudanças no perfil epidemiológico dos óbitos quanto maior identificação, investigação, preenchimento e codificação das causas associadas. A análise por causas múltiplas mostrou-se útil para ampliar a caracterização dos óbitos por suicídio e oferecer subsídios para a vigilância e para a qualificação da informação em saúde.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1041108 - VIVIAN SIQUEIRA SANTOS GONCALVES
Interna - 2068394 - KEITTY REGINA CORDEIRO DE ANDRADE
Externa à Instituição - FRANCIÉLE MARABOTTI COSTA LEITE - UFES
Externa à Instituição - ELIZABETH LEITE BARBOSA - MS
Notícia cadastrada em: 02/09/2026 10:51
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