Por um Projeto de Vida emancipador: crítica à reforma do ensino médio e contribuição freireano-savianiana à formação dos jovens
projeto de vida; ensino médio; neoliberalismo; Paulo Freire; Dermeval Saviani, oficina pedagógica
Esta dissertação propõe uma análise crítica da inserção do componente “Projeto de Vida” no Novo Ensino Médio brasileiro, conforme previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nos currículos estaduais, com ênfase no Currículo em Movimento do Ensino Médio do Distrito Federal. Parte-se da hipótese de que a proposta, embora apresentada sob os discursos da inovação pedagógica e do protagonismo juvenil, opera, na prática, como um dispositivo de adequação subjetiva à racionalidade neoliberal, ao orientar a formação da juventude segundo princípios de empreendedorismo, responsabilização individual e adaptação ao mercado de trabalho. A dissertação estrutura-se em três seções. O primeiro discute as reformas do ensino médio à luz da teoria do capital humano e da continuidade de políticas educacionais neoliberais durante o governo Lula. A segunda seção realiza uma crítica filosófica e pedagógica à concepção de Projeto de Vida presente na BNCC, com base nos aportes teóricos de Paulo Freire e Dermeval Saviani, defendendo uma alternativa formativa que recupere a dimensão ética, política e social da educação. Na terceira seção, apresenta-se o produto educacional desenvolvido no âmbito da pesquisa: uma oficina pedagógica composta por cinco etapas — prática social inicial, problematização, instrumentalização, catarse e prática social final —, que busca articular os fundamentos freireanos da conscientização e da ação-reflexão com a metodologia histórico-crítica de Saviani, centrada na formação omnilateral e na mediação entre saberes e realidade. A oficina foi pensada como proposta formativa dirigida a professores e estudantes do ensino médio, com o objetivo de fomentar espaços coletivos de escuta, diálogo e construção de sentidos existenciais, orientados por princípios de justiça social, solidariedade e transformação. Trata-se, assim, de um esforço teórico-prático de ressignificação do Projeto de Vida no interior da escola pública, a partir de uma concepção emancipadora de educação comprometida com a dignidade humana e com a superação das desigualdades históricas.