Banca de DEFESA: MARCO AURÉLIO BRAGA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARCO AURÉLIO BRAGA
DATA : 19/05/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Presencial
TÍTULO:

SEM PROMETER O PARAÍSO: A FILOSOFIA DE CAMUS E O SENTIDO DO AB- SURDO E DA REVOLTA EM UM CONTEXTO SOCIOEDUCATIVO/UNISS-DF


PALAVRAS-CHAVES:

Socioeducação. Absurdo. Revolta. Albert Camus. Filosofia do en- sino. UNISS. Racionais MC's. Educação em privação de liberdade.


PÁGINAS: 116
RESUMO:

A pesquisa busca entender por que se insiste em colocar uma escola regular dentro de um lugar que é tudo, menos regular. A UNISS não foi escolhida ao acaso entre as unidades. Foi simplesmente onde o pesquisador há mais de 10 anos atua como pro- fessor, onde é possível sentir na pele o absurdo de tentar aplicar um currículo escolar anual para jovens que ficam por volta três meses, às vezes menos. O professor pla- neja uma aula pensando em um semestre todo e na semana seguinte o aluno já não está mais lá. Sumiu. Foi transferido. Voltou para a rua. E fica o caderno cheio de ati- vidades que ninguém vai terminar. Escolher Albert Camus nesse contexto importa, porque era preciso alguém que desse a ferramenta para olhar isso tudo sem mentir. Sem aquela história de que a educação vai salvar todo mundo. Camus desnuda e escancara esse absurdo institucional: assim como ele descreve um universo que não responde ao clamor humano por sentido, a UNISS é quem silencia diante dos absurdos impostos aos alunos. O absurdo é exata- mente essa distância entre o que o sistema promete e o que se encontra quando abre a porta da sala de aula. O ECA diz que é para o jovem ter autonomia, mas o que se acontece é a organização de corpos, controle de horário, fila para o pátio. Camus ajuda a sustentar essa contradição sem levar ao desmoronamento. Essa postura de enfrentamento permitiu que o foco da pesquisa se deslocasse da busca por soluções institucionais para a observação da resistência que emergia dentro da própria sala de aula. A grata surpresa é a descoberta que os próprios adolescentes entendiam o absurdo melhor do que muitos livros. Quando acontece a sequência didática e a interface entre os Racionais MC's em diálogo com Camus, os adolescents não precisaram de tradu- ção acadêmica. Eles já sabiam o que era viver sem perspectiva e mesmo assim le- vantar todo dia. Criaram sozinhos a ideia de revolta motivadora, aquela raiva que te tira da cama mesmo quando não tem nada te esperando fora dela. Falavam de revolta positiva, não como violência, mas como recusa em aceitar que aquilo era tudo que eles mereciam. Eles conheceram a História do Mito de Sísifo e se reconheceram no próprio dia a dia. Não existe uma resposta em como consertar essa estrutura. Talvez não seja possível transformar a UNISS em algo que não seja uma instituição disciplinar. As contradições 8 continuam lá, intactas. O currículo ainda não conversa com a vida deles, a rotatividade de alunos é regra, a escola ainda parece mais um apêndice do sistema de segurança do que um espaço de educação. Mas o grande aprendizado que fica é que dá para trabalhar dentro do absurdo sem trair os que estão ali. Dá para ensinar Filosofia de um jeito que não venda ilusões, mas que reconheça a dignidade de pensar mesmo dentro de um lugar feito para administrar corpos. Os jovens demonstraram que a pro- dução de pensamento é possível mesmo em condições de contenção, acautelamento, perda de liberdade, operando uma subversão do próprio sistema ao se tornarem su- jeitos de sua própria reflexão, estudar em um ambiente assim, já é um ato de resistência.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - RUI TEIXEIRA LIMA JUNIOR - CEUB
Presidente - 1866410 - ANDRE LUIS MUNIZ GARCIA
Externo ao Programa - 1212582 - LEONARDO RODRIGUES DE OLIVEIRA ORTEGAL - nullExterno ao Programa - 2290568 - WANDERSON FLOR DO NASCIMENTO - null
Notícia cadastrada em: 04/05/2026 09:27
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