Ambidestria em organizações públicas: um diagnóstico das capacidades de exploração e explotação
Ambidestria organizacional; Exploração; Explotação; Administração pública; Ministério Público Federal
A administração pública contemporânea enfrenta o desafio de conciliar eficiência operacional e inovação, diante de crescentes demandas sociais, restrições orçamentárias e transformação digital. A teoria da ambidestria organizacional oferece uma lente analítíica relevante para compreender como organizações públicas podem conciliar as capacidades de exploitation (eficiência, otimização de processos) e exploration (inovação, experimentação). Esta pesquisa tem como objetivo geral caracterizar a configuração da ambidestria organizacional na Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão de cúpula do Ministério Público Federal, a partir das capacidades de exploração e explotação presentes em suas práticas organizacionais. Trata-se de uma pesquisa básica, de natureza quantitativa e de caráter descritivo-exploratório, que utilizará como instrumento a escala de Sharma et al. (2020), adaptada transculturalmente, aplicada a servidores da PGR por meio de amostragem não probabilísí tica por conveniência. Os dados serão analisados por meio de estatística descritiva, análise fatorial exploratória e gráfico de dispersão, para visualizar a distribuição dessas capacidades. Como produto técnico-tecnológico, será elaborada uma proposta normativa de aperfeiçoamento do marco regulatório de inovação da PGR, com base nos achados empírí icos, visando à efetividade da polítíica de inovação e ao fomento da ambidestria organizacional. A pesquisa contribui teoricamente ao expandir a literatura para o sistema de justiça brasileiro, metodologicamente ao validar instrumento internacional no contexto público nacional, e institucionalmente ao fornecer diagnóstico empírí ico para a gestão estratégica da PGR.
CONTRIBUIÇÕES E IMPACTOS DA PESQUISA
A presente pesquisa oferece contribuições teóricas, metodológicas e institucionais. No plano teórico, amplia a literatura sobre ambidestria organizacional ao aplicar o conceito ao contexto da administração pública brasileira, especialmente a um órgão do sistema de justiça. No plano metodológico, contribui ao adaptar e testar, no contexto da administração pública federal, a escala de Sharma et al. (2020), favorecendo futuras investigações quantitativas sobre o tema. No plano institucional, produz um diagnóstico empírico sobre como as capacidades de exploração e explotação se manifestam na PGR, gerando subsídios para o aperfeiçoamento da gestão e da inovação no órgão. Quanto aos impactos esperados, a pesquisa apresenta potencial de repercussão nas dimensões gerencial, organizacional e normativa. Seus resultados poderão apoiar a alta gestão da PGR na formulação de estratégias voltadas ao equilíbrio entre eficiência e inovação, além de fortalecer a efetividade da política institucional de inovação. Como produto técnico-tecnológico, prevê-se a elaboração de uma proposta de aprimoramento do marco regulatório de inovação da PGR, com vistas à promoção da ambidestria organizacional. Desse modo, o estudo busca não apenas produzir conhecimento acadêmico, mas também gerar efeitos práticos e aplicáveis à gestão pública.