FATORES QUE INFLUENCIAM A ASCENSÃO DE MULHERES A CARGOS DE LIDERANÇA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: UMA ANÁLISE A PARTIR DAS NARRATIVAS DE GESTORAS
Equidade de Gênero; Liderança Feminina; Poder Judiciário; Administração Pública; Pesquisa Qualitativa.
O debate contemporâneo sobre equidade de gênero na Administração Pública contempla a temática da sub-representação feminina em cargos de liderança em órgãos da alta cúpula do Poder Judiciário. Nesse sentido, este estudo tem como objetivo compreender os principais fatores que influenciam a ascensão de mulheres a cargos de liderança no Supremo Tribunal Federal, a partir das narrativas de gestoras. O quadro teórico articula contribuições sobre equidade de gênero, sua aplicação no setor público em níveis internacional e nacional, e os fatores candidatos a influenciar a ascensão profissional feminina, agrupados em níveis analíticos (individual, interpessoal, organizacional e sociocultural) baseados no modelo Barriers and Facilitators of Female Leadership Empowerment - BAFFLE. Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, que adota a abordagem qualitativa. A coleta de dados será realizada por meio de entrevistas com gestoras, complementadas por documentos institucionais não sigilosos. Para o tratamento dos dados, serão utilizadas técnicas de análise de conteúdo e análise documental. Como resultados, espera-se identificar barreiras e facilitadores relacionados à ascensão feminina em cargos de liderança no Supremo Tribunal Federal. A pesquisa prevê, em adição, a elaboração de um Produto Técnico-Tecnológico na forma de uma minuta normativa visando ao aprimoramento do processo de ascensão de mulheres a cargos de liderança. O estudo busca, também, aprofundar o entendimento sobre as iniciativas para a promoção de mulheres a cargos de liderança no poder judiciário brasileiro.
PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES E IMPACTOS DO TRABALHO
O projeto de pesquisa “Fatores que influenciam a ascensão de mulheres a cargos de liderança no Supremo Tribunal Federal: uma análise a partir das narrativas de gestoras”, busca preencher uma lacuna na literatura ao operacionalizar o modelo multinível Barriers and Facilitators of Female Leadership Empowerment (BAFFLE) em um tribunal de cúpula. Adicionalmente, ao analisar simultaneamente as barreiras e os facilitadores que operam nas esferas individual, interpessoal, organizacional e sociocultural, oferece oportunidade para compreender os itinerários profissionais das gestoras do STF com potencial de desvelar nuances não contemplados por dados estatísticos.
A integração entre o diagnóstico empírico e o PTT oferece subsídios para aperfeiçoar os critérios de nomeação, sugerindo a transição de dinâmicas baseadas em redes de confiança para parâmetros transparentes fundamentados no mérito técnico e em competências gerenciais. O produto inova ao conceber diretrizes customizadas que emanam das vivências das próprias servidoras, introduzindo ferramentas de monitoramento capazes de identificar com precisão onde ocorrem as retenções de talentos femininos (fenômenos como o sticky floor e o leaky pipeline).
No âmbito institucional, o estudo busca oferecer caminhos para o fortalecimento da equidade de gênero do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao cenário regulatório nacional. Embora o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) possua diretrizes consolidadas de equidade de gênero formalizadas por meio das Resoluções n.º 255/2018 e 540/2023, tais determinações não são compulsórias ao STF devido à sua autonomia administrativa. Ao propor um instrumento orientador adaptável, que pode consolidar-se na forma de sugestões regulatórias, o trabalho colabora para alinhar a gestão de pessoas do STF aos marcos federais contemporâneos de equidade (como o Decreto n. 11.443(2023) e a Lei n. 15.177(2025).
Por fim, o trabalho projeta um potencial de replicabilidade e impacto social abrangente. Devido à posição de centralidade e liderança que o STF exerce no Poder Judiciário do país, a modelagem proposta serve como uma referência adaptável para os demais tribunais superiores (STJ, TST, TSE e STM) atuantes no poder judiciário brasileiro.