Perfil de prescrição de psicotrópicos para pessoas com transtorno depressivo, bipolar e de ansiedade na Atenção Primária à Saúde brasileira
Atenção Primária à Saúde; Psicotrópicos; Prescrições de Medicamentos; Transtorno Depressivo; Transtorno de Ansiedade; Transtorno Bipolar
Os transtornos depressivo, bipolar e de ansiedade figuram entre as condições de saúde de maior relevância em saúde pública, em razão de sua elevada prevalência e do impacto sobre o funcionamento social e ocupacional dos indivíduos. Evidências provenientes de estudos globais de carga de doença indicam que essas condições afetam centenas de milhões de pessoas e contribuem de forma expressiva para os anos vividos com incapacidade, com repercussões importantes sobre a qualidade de vida e a participação social. No âmbito da organização do Sistema Único de Saúde, a Atenção Primária à Saúde (APS) é definida como porta de entrada preferencial, ordenadora da rede e responsável pela coordenação do cuidado. Nesse contexto, a APS assume papel central no manejo e no seguimento contínuo em saúde mental, articulando-se com serviços especializados quando necessário. Entre as estratégias terapêuticas utilizadas no manejo clínico dessas condições destaca-se a farmacoterapia, com a utilização de medicamentos psicotrópicos. As diretrizes clínicas estabelecem recomendações para o uso dessas classes terapêuticas e constituem referência para análise dos padrões de prescrição relacionados ao objeto deste estudo. No Brasil, os estudos sobre psicotrópicos concentram-se predominantemente em inquéritos populacionais, análises de dispensação de medicamentos e investigações conduzidas em contextos locais, sendo escassas análises em escala nacional que avaliem os padrões de prescrição à luz das recomendações estabelecidas em diretrizes clínicas. Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar o perfil de prescrição de psicotrópicos para pessoas com transtornos depressivo, bipolar e de ansiedade atendidas na APS brasileira. Trata-se de estudo observacional, transversal, baseado em dados secundários provenientes do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), no período de 2018 a 2024. A partir de recomendações presentes em diretrizes clínicas, serão derivados indicadores para análise da farmacoterapia.