DESINFORMAÇÃO E MARCO TEMPORAL: uma análise da comunicação da Bancada Ruralista nas plataformas de mídias sociais em 2023
desinformação. Marco temporal. Bancada Ruralista. Frente Parlamentar da Agropecuária. Comunicação política digital. Terras indígenas.
A presente dissertação estuda, sob o enfoque comunicacional, as possíveis desinformações nas publicações de parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), também conhecida como Bancada Ruralista, sobre o marco temporal no ano de 2023. Para isto, foram analisadas 1.642 publicações realizadas pela bancada no Twitter (atual X), Instagram e Facebook. O período analisado foi marcado pela intensificação da disputa política, jurídica e legislativa em torno da tese, com o julgamento do Recurso Extraordinário n.º 1.017.365 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a tramitação do Projeto de Lei n.º 2.903/2023, posteriormente convertido na Lei n.º 14.701/2023. A pesquisa busca compreender como os parlamentares da Bancada Ruralista participaram desse debate nas redes sociais e identificar a presença e as características de conteúdos desinformativos em suas publicações. Metodologicamente, emprega-se a Análise de Conteúdo (AC), combinando procedimentos quantitativos e qualitativos para examinar um corpus de 1.642 publicações sobre o marco temporal realizadas pelos parlamentares nas três plataformas digitais analisadas. Os resultados identificaram 293 publicações com conteúdo desinformativo, correspondentes a 17,8% do corpus. A disseminação desses conteúdos mostrou-se concentrada entre determinados parlamentares: os 30 com maior número de ocorrências foram responsáveis por 219 publicações desinformativas, equivalentes a 74,7% do total identificado. A análise também evidencia a centralidade do argumento da “segurança jurídica” no debate, mobilizado em 798 publicações do corpus, correspondentes a 48,6% do total. Os achados demonstram, assim, que a desinformação integrou a comunicação política digital de parcela dos parlamentares da FPA durante a disputa em torno do marco temporal, articulando-se a argumentos e enquadramentos empregados na defesa da tese e na construção de narrativas sobre os direitos territoriais dos povos indígenas.