Doença renal aguda em uma coorte de pacientes críticos com injúria renal aguda: mortalidade, recuperação renal e fatores prognósticos
Injúria Renal Aguda; Doença Renal Aguda; Unidades de Terapia Intensiva; Enfermagem
“Introdução: A Doença Renal Aguda (DRA) é uma condição recentemente reconhecida. Segundo o consenso KDIGO mais atual, caracteriza-se por alterações na função e/ou estrutura renal com impacto clínico, persistindo entre 7 e 90 dias. Esse período representa uma fase de elevada vulnerabilidade, na qual há risco significativo de progressão para Doença Renal Crônica (DRC). Portanto, a compreensão de sua epidemiologia, evolução clínica e dos mecanismos associados à recuperação ou não da função renal ainda necessita ser ampliada. Objetivo: Avaliar a doença renal aguda com e sem IRA e seus impactos preditivos e prognósticos analisando a associação entre gravidade clínica, modalidades de terapia de suporte renal (TSR) e desfechos clínicos. Método: Trata-se de um estudo unicêntrico, observacional, longitudinal do tipo coorte prospectivo, com abordagem quantitativa realizado em uma Unidade de Terapia Intensiva Adulto (UTI) de um Hospital de Ensino da região Centro-Oeste. A casuística foi constituída de 64 pacientes acompanhados durante a internação na UTI até a alta hospitalar ou óbito. Foram incluídos pacientes com idade superior a 18 anos; que evoluíram com IRA com ou sem necessidade de TSR e internados na UTI no período de coleta. Foram excluídos pacientes de alta/ óbito em período igual ou inferior a sete dias durante o acompanhamento; e/ou diagnóstico médico de DRC. A coleta de dados foi realizada entre junho de 2023 a abril de 2024. Os dados foram obtidos por meio de prontuário eletrônico e registrados em questionário estruturado com itens de identificação, função renal, parâmetros laboratoriais, clínicos e hemodinâmicos. A análise estatística foi descritiva e inferencial e considerada significativa quando p≤0,05. Resultados: Foram analisados 64 pacientes com idade média de 56,77 anos. Houve predominância (61%) do sexo masculino. A unidade de origem dos pacientes predominante foi o pronto socorro (63%), o tipo de internação mais frequente foi clínico (95,31%), 28,57% dos pacientes apresentaram histórico de internações anteriores e 28,13% de cirurgias prévias à internação na UTI. Na análise apresentada 20 (33%) dos pacientes apresentaram DRA. A maioria (90,2%) dos pacientes foi estratificada no estágio 3 (maior gravidade) de IRA, conforme os critérios creatinina (46,88%) e débito urinário (67,19%) da classificação KDIGO. A necessidade de ventilação invasiva foi alta (69%). A condição clínica dos pacientes nas primeiras 24 horas de admissão na UTI revelou um perfil de gravidade sinalizado pelos valores obtidos por meio dos índices prognósticos SAPS 3 e SOFA da admissão, de 60± 17 e 5,85 ±3,6, respectivamente. O uso de drogas vasoativas foi frequente (77%), 42,19% necessitaram de TSR e 41% dos pacientes evoluíram a óbito. Conclusão: Este estudo mostrou que a maioria dos pacientes evoluiu com IRA grave e necessidade de TSR, parte deles com DRA, com prognóstico desfavorável constatado pela maior pontuação do SAPS/SOFA, refletindo maior risco de óbito e complicações.