ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE LETRAMENTO DIGITAL EM SAÚDE DOS PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL
Alfabetização Digital; Pessoal de Saúde; Atenção Primária à Saúde; Saúde Digital
O Letramento em Saúde Digital (LDS) tornou-se essencial para o uso seguro e eficaz das tecnologias digitais na área da saúde. No entanto, as evidências sobre o LDS entre profissionais de Atenção Primária à Saúde (APS) em países de baixa e média renda continuam limitadas, especialmente em sistemas públicos de saúde que passam por uma rápida transformação digital. Objetivo: Analisar a relação entre as condições de letramento digital em saúde e as características profissiográficas e de uso das tecnologias de informação e comunicação por profissionais da Atenção Primária do Distrito Federal, Brasil. Métodos: Este estudo analítico transversal incluiu 123 profissionais de oito unidades de APS no Distrito Federal, Brasil. O LDS foi avaliado por meio da versão brasileira do eHealth Literacy Scale (eHEALS). Dados sobre características sociodemográficas, profissionais e de inclusão digital foram coletados por meio de entrevistas presenciais utilizando o REDCap. As comparações entre grupos foram realizadas por meio de testes não paramétricos, e a regressão linear multivariável com erros-padrão robustos HC3 e reamostragem por bootstrap com 1.000 iterações foi utilizada para identificar fatores independentemente associados ao LDS. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Ciências da Saúde sob parecer número: 7.361.118. Resultados: Os participantes apresentaram altos níveis de inclusão digital, com acesso universal à internet e uso generalizado de smartphones. A pontuação média na eHEALS foi de 34,5 ± 4,3, indicando bom LDS autoavaliado. Foram observadas pontuações mais altas para habilidades instrumentais relacionadas à busca de informações on-line, enquanto os participantes relataram menor confiança no uso crítico de informações de saúde on-line para a tomada de decisões relacionadas à saúde. O nível de escolaridade apresentou associação positiva com o LDS (β = 1,28; p = 0,025), enquanto profissionais de categorias não clínicas apresentaram pontuações mais baixas do que profissionais clínicos com ensino superior (β = −2,22; p = 0,019). A idade e o tempo de experiência profissional não se mostraram independentemente associados ao LDS. Conclusões: Os profissionais da APS demonstraram alta inclusão digital e bom LDS autoavaliado; no entanto, persistiram lacunas importantes em sua confiança para avaliar criticamente e aplicar informações de saúde online na tomada de decisões clínicas. Esses achados sugerem que a transformação digital nos sistemas públicos de saúde deve ser acompanhada por estratégias de desenvolvimento da força de trabalho focadas na avaliação crítica e no uso baseado em evidências das informações digitais de saúde.”