AVALIAÇÃO DE RESÍDUOS DE GLIFOSATO E GLUFOSINATO EM SOJA: DESAFIOS PARA A SUSTENTABILIDADE E PARA A SAÚDE PÚBLICA
agrotóxicos; derivatização; soja; GC-MS; LC-MS/MS; glifosato; glufosinato
Diante do uso intensivo de agrotóxicos no cultivo da soja brasileira, este trabalho teve como objetivo implementar e aplicar métodos analíticos para identificar e quantificar resíduos de glifosato (GLI), glufosinato (GLUF) e do metabólito ácido aminometilfosfônico (AMPA) em amostras comerciais de soja, confrontando-os com os limites da ANVISA. Foram desenvolvidos dois métodos complementares para analisar sete amostras em triplicata: cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS), com derivatização por MTBSTFA para GLI e GLUF; e cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem (LC-MS/MS) via protocolo QuPPe para GLI e AMPA. Os ensaios de GC-MS mostraram limitações de linearidade (R^2 entre 0,8267 e 0,9623) devido à variabilidade na derivatização. Por LC-MS/MS, três amostras apresentaram concentrações quantificáveis de glifosato, com destaque para a amostra SJ-06 (15,67 ppm), que excedeu o Limite Máximo de Resíduo (LMR) de 10 ppm estabelecido pela ANVISA, gerando alerta para riscos toxicológicos crônicos. O AMPA foi detectado, mas suas concentrações ficaram majoritariamente abaixo do limite de quantificação (0,110 ppm). Conclui-se que há um perfil heterogêneo de contaminação e lacunas regulatórias pela ausência de LMR para o AMPA. Para estudos futuros, sugere-se o uso exclusivo de LC-MS/MS, padrões isotopicamente marcados e ampliação da amostragem.