VALIDAÇÃO ANALÍTICA DO MÉTODO DE QUANTIFICAÇÃO ESPECTROFOTOMÉTRICA DE β-GLICOSIDASE E ARILSULFATASE EM SOLOS
Enzimas, solos, β-glicosidase, arilsulfatase, pNP, validação analítica
Este trabalho teve como objetivo validar e otimizar métodos espectrofotométricos para a determinação da atividade das enzimas β-glicosidase e arilsulfatase em amostras de solo, contemplando a avaliação do efeito matriz e dos principais parâmetros de validação analítica, incluindo linearidade, sensibilidade, limites de detecção (LD) e quantificação (LQ), precisão, estabilidade e faixa linear. A investigação do efeito matriz foi realizada por meio da comparação entre os métodos de calibração externa e adição de padrão para a β-glicosidase. O teste t de Student bilateral (95% de confiança) indicou ausência de diferença estatisticamente significativa entre os métodos (tcal = 1,23 < tab = 4,303).. Apesar de a calibração externa apresentar tendência sistemática à subestimação da atividade enzimática, observou-se forte correlação linear com o método de adição de padrão (r = 0,995), além de melhor desempenho analítico, evidenciado por menor desvio padrão, intervalos de confiança mais estreitos e coeficiente de determinação mais elevado (R² = 0,9992). As curvas analíticas para β-glicosidase e arilsulfatase apresentaram excelente linearidade nos comprimentos de onda de 400 e 420 nm, com valores de R² superiores a 0,990, atendendo aos critérios estabelecidos pela Resolução RDC nº 166/2017 da ANVISA. Para ambas as enzimas, o comprimento de onda de 400 nm apresentou maior sensibilidade analítica, com menores valores de LD e LQ, enquanto 420 nm mostrou-se mais adequado para análises em concentrações mais elevadas, devido à redução de interferências ópticas e maior estabilidade do sinal. A avaliação da faixa linear confirmou comportamento linear robusto após a exclusão de pontos próximos aos limites instrumentais, assegurando precisão e confiabilidade na faixa operacional do método. Os estudos de estabilidade demonstraram que os substratos pNG, pNS e pNP mantiveram comportamento estável ao longo do período avaliado, com destaque para o pNP, que apresentou elevada reprodutibilidade e mínima dispersão dos dados. De forma complementar, a análise da secagem dos solos evidenciou que, durante a estiagem, as amostras perderam massa até o 13º dia, com reabsorção de água entre o 15º e o 19º dia e posterior estabilização. No período chuvoso, a perda inicial ocorreu até o 9º dia, seguida de reabsorção entre o 10º e o 15º dia, com estabilização a partir do 17º dia. Em conjunto, os resultados confirmam que os métodos validados apresentam robustez, precisão e adequação para aplicação em análises de rotina e estudos ambientais envolvendo atividade enzimática em solos.