Caracterização física, química e sensorial de cafés (Coffea arabica) produzidos no Distrito Federal: abordagem quimiométrica aplicada à avaliação do terroir
quimiometria, café, terroir, espectroscopia, cromatografia, indicação geográfica
O café é uma das bebidas não alcoólicas mais consumidas mundialmente, sendo o Brasil o maior produtor representando cerca de 30% da produção global. Apesar de estar na região de menor produção, o Distrito Federal possui fatores climáticos favoráveis ao cultivo: altitude elevada, regime de chuvas bem definido e temperaturas amenas. Além disso, mesmo destinando poucas áreas, possui uma produtividade acima da média e cafés já premiados. Os estudos conduzidos nessa região são escassos e limita as aplicabilidades de interesse econômico e social. Estados próximos como Minas Gerais e Espírito Santo possuem uma vasta bibliografia de caracterização. Minas Gerais possui Indicação Geográfica desde 2005, compreendendo uma região muito próxima do território do DF, o Cerrado Mineiro. A qualidade do café é determinada por uma complexa interação entre fatores genéticos, edafoclimáticos e de manejo, e em vista disso, o terroir tem se mostrado fundamental para a detecção e diferenciação de cafés especiais. A composição química é também um fator chave para sua caracterização, intrinsecamente ligada à análise sensorial. A espectroscopia no infravermelho médio (MIR) associada a ferramentas quimiométricas oferece uma abordagem rápida e não destrutiva para análise. O objetivo deste trabalho é caracterizar o café do DF, quantificando seus principais componentes, associando a espectroscopia MIR e análise sensorial às análises quimiométricas pertinentes. Para este estudo foram reunidos cafés da espécie Coffea arabica cultivados por 17 produtores distribuídos em várias regiões do DF, fornecendo amostras das safras de 2024 e 2025. As amostras também foram submetidas à cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) para determinação de cafeína, trigonelina e ácido 5-cafeoilquínico, perfil de ácidos carboxílicos, análise de compostos voláteis por HS-SPME-GC/MS e avaliação sensorial conforme protocolo da Specialty Coffee Association (SCA). Espera-se obter um diagnóstico da qualidade dos cafés do Distrito Federal, correlacionando perfis químicos com características sensoriais, reconhecendo o perfil da cultura cafeeira no DF, indicando um possível terroir da região. Os resultados fornecerão subsídios científicos para a futura estruturação de um pedido de Indicação Geográfica para o café do cerrado brasiliense, agregando valor ao produto e promovendo o desenvolvimento da cafeicultura na região.