Registro de Insuficiência Cardíaca de Brasília
insuficiência cardíaca, epidemiologia, farmacoterapia, desfechos, renda média.
Introdução: Dados longitudinais sobre insuficiência cardíaca (IC) provenientes de regiões de renda média são limitados, e frequentemente falham em fornecer follow-up adequado ou em refletir a diversidade dessas populações. Objetivo: O Registro de Insuficiência Cardíaca de Brasília (BEAT-HF – Brasília Evaluation and Tracking of Heart Failure) teve como objetivo caracterizar a epidemiologia, adesão à terapia médica guiada por diretrizes (GDMT – Guideline-Directed Medical Therapies), e os desfechos de longo prazo de uma coorte de IC regionalmente-representativa. Métodos: Estudo observacional multicêntrico incluiu pacientes com diagnóstico recente de IC no sistema público de saúde de Brasília. Avaliamos características clínicas, adesão à GDMT e desfechos, estratificados por fenótipos de fração de ejeção (FE) e etiologias da IC. Os desfechos primários foram hospitalização por IC e morte por todas as causas. Resultados: Um total de 2.314 pacientes foi incluído (56,8% homens; idade média 64,5±14,0 anos), representando uma coorte diversa em termos de raça (53,4% pardos, 20,5% brancos, 19,5% negros, 6,5% asiáticos), fenótipo de FE (56,1% reduzida, 15,0% levemente reduzida, 28,8% preservada) e etiologia da IC (34,7% isquêmica, 24,7% hipertensiva, 20,8% chagásica, 14,0% cardiomiopatia dilatada). Durante o follow-up mediano de 20,8 meses (IIQ 8,1–36,7), 164 (11,0%) pacientes foram hospitalizados por IC, e 371 (22,2%) morreram. A GDMT quádrupla (Q-GDMT, definida como a combinação de IECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, ARM e ISGLT2) foi utilizada por 28,9% dos pacientes, e associou-se a redução na mortalidade por todas as causas, independentemente dos fenótipos de FE e das etiologias da IC. Conclusão: Nesta coorte de IC urbana diversa de um país de renda média, a Q-GDMT foi associada a melhora da sobrevida. Esses resultados ressaltam a importância de ampliar o acesso à GDMT em regiões em desenvolvimento.