ECOLOGIA E DIVERSIDADE DE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES EM AGROECOSSISTEMAS DO CERRADO: INTERAÇÕES SIMBIÓTICAS EM TRIGO, QUINOA E CANA-DE-AÇÚCAR
Fungos micorrízicos arbusculares; Agroecossistemas do Cerrado; Sustentabilidade agrícola; Chenopodium quinoa; Saccharum spp.; Triticum aestivum; Estresse hídrico; Remineralizadores de solo; Bioindicadores
O presente trabalho investiga a ecologia e a estrutura das comunidades de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) em agroecossistemas do Cerrado, analisando as interações simbióticas em três culturas de crescente importância econômica e estratégica: cana-de-açúcar (Saccharum spp.), trigo (Triticum aestivum) e quinoa (Chenopodium quinoa). O estudo parte da premissa de que a expansão agrícola no bioma enfrenta limitações edafoclimáticas severas, como a baixa fertilidade natural e a sazonalidade hídrica, demandando práticas de manejo que considerem os serviços ecossistêmicos da microbiota do solo. A pesquisa foi estruturada em três capítulos experimentais, nos quais densidade de esporos, colonização radicular e riqueza de gêneros foram tratadas como descritores independentes da simbiose. No primeiro, avaliaram-se cana-de-açúcar e cana-energia sob quatro regimes hídricos, e a colonização foi maior sob sequeiro do que sob o conjunto dos tratamentos irrigados na estação seca, com diferença de 16,8 pontos percentuais, enquanto a composição de gêneros permaneceu homogênea entre regimes e variedades, padrão compatível com um conjunto regional de propágulos compartilhado; a densidade de esporos variou entre épocas de coleta mais do que entre manejos. O segundo capítulo analisou o trigo sob quatro lâminas de irrigação e três fontes de adubação, e a lâmina controlou a colonização, com ótimo estimado próximo de 324 mm e queda acentuada sob 167 mm, ao passo que a fonte de adubação não alterou a colonização; a composição de gêneros apresentou montagem de caráter estocástico segundo o índice de Raup-Crick, e a adubação, mineral ou remineralizadora, ampliou a diversidade efetiva de gêneros em relação à testemunha. No terceiro capítulo, a identidade genética de vinte genótipos de quinoa estruturou a comunidade de FMA em três grupos de afinidade micorrízica, com Rhizophagus e Glomus atuando como generalistas, e a esporulação não acompanhou a riqueza de gêneros. Conclui-se que colonização, esporulação e riqueza respondem a controles distintos e não são intercambiáveis como bioindicadores, de modo que a avaliação da simbiose em agroecossistemas do Cerrado deve reportar os três descritores separadamente.