ECOLOGIA E DIVERSIDADE DE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES EM AGROECOSSISTEMAS DO CERRADO: INTERAÇÕES SIMBIÓTICAS EM TRIGO, QUINOA E CANA-DE-AÇÚCAR
Fungos micorrízicos arbusculares; Agroecossistemas do Cerrado; Sustentabilidade agrícola; Chenopodium quinoa; Saccharum spp.; Triticum aestivum; Estresse hídrico; Remineralizadores de solo; Bioindicadores
O presente trabalho investiga a ecologia e a estrutura das comunidades de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) em agroecossistemas do Cerrado, analisando as interações simbióticas em três culturas de crescente importância econômica e estratégica: quinoa (Chenopodium quinoa), cana-de-açúcar (Saccharum spp.) e trigo (Triticum aestivum). O estudo parte da premissa de que a expansão agrícola no bioma enfrenta limitações edafoclimáticas severas, como a baixa fertilidade natural e a sazonalidade hídrica, demandando práticas de manejo que potencializem os serviços ecossistêmicos da microbiota do solo. A pesquisa foi estruturada em três capítulos experimentais. No primeiro, avaliou-se a diversidade micorrízica na rizosfera de 20 genótipos de quinoa, demonstrando que a identidade genética da planta hospedeira exerce forte influência sobre a esporulação e colonização, com predominância dos gêneros generalistas Rhizophagus e Glomus . O segundo capítulo analisou a cana-de-açúcar e cana-energia sob diferentes regimes de irrigação, revelando que a disponibilidade hídrica atua como um filtro ecológico determinante: embora a taxa de colonização se mantenha estável, o estresse hídrico altera a composição da comunidade, favorecendo gêneros tolerantes como Diversispora, enquanto a cana-energia recruta simbiontes específicos como Archaeospora . Por fim, o terceiro capítulo investigou o trigo sob lâminas de irrigação e uso de remineralizadores de solo (pó de rocha), evidenciando que a adubação com rochagem estimula altas taxas de colonização e promove a ocorrência exclusiva do gênero Cetraspora, sugerindo uma especialização funcional para a solubilização de nutrientes. Conclui-se que as comunidades de FMA nativas do Cerrado possuem alta plasticidade ecológica, adaptando-se a diferentes hospedeiros e manejos para manter a funcionalidade da simbiose. O estudo reforça o papel dos FMA como bioindicadores de qualidade do solo e componentes essenciais para a resiliência e sustentabilidade da agricultura tropical .