Políticas indígena em movimento: estratégias e enunciados na luta.
indigenismo; políticas indígenas; movimento indígena
Esta tese parte de uma trajetória vivida em distintas frentes do indigenismo e propõeuma inflexão: uma etnografia a posteriori sobre as práticas políticas de povos indígenas, seu movimento nacional e transformações recentes. Recusando a ideia de queoindigenismo seja um objeto externo à antropologia, busco compreendê-lo comoumcampo tensionado de práticas e discursos — protagonizado, cada vez mais, pelospróprios povos indígenas, mas também por agências estatais e organizações nãogovernamentais — e como um contexto ativo de produção do conhecimentoantropológico. A pesquisa articula dois eixos etnográficos: o primeiro, baseadonaatuação junto ao povo Krahô e suas associações comunitárias, onde o associativismoémobilizado como instrumento de ação política, reorganização interna e articulaçãoexterna; o segundo, centrado na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), apartir de uma etnografia das plenárias, cartas públicas, campanhas e mobilizações dosAcampamentos Terra Livre desde 2022, abrangendo o processo de transiçãogovernamental que resultou na criação do Ministério dos Povos Indígenas. Aoacompanhar esses processos, observo as estratégias do movimento indígena nacional emsua capacidade de se ressignificar na luta pela manutenção e implementação dos direitosassegurados pela Constituição de 1988, em especial a luta pela terra —sua principal bandeira. O termo “movimento” é mobilizado aqui em seu sentido polifônico: comoação coletiva organizada de um corpo político, mas também como deslocamento, transformação e produção de novos sentidos para habitar e disputar a política. Em diálogo com diferentes perspectivas sobre o indigenismo —e atenta aos conflitos, ambivalências e agenciamentos que o atravessam —, proponho refletir sobreapluralidade das políticas indígenas contemporâneas e seus enunciados