O movimento social de Economia Solidária nas fronteiras do Estado: uma etnografia da participação social e do ativismo institucional
Economia Solidária. Ativismo Institucional. Política Participativa. Antropologia do Estado. Conferência Nacional.
Esta dissertação investiga as relações estabelecidas entre o movimento social de Economia
Solidária (Ecosol) e o Estado brasileiro, ocorridas especialmente no âmbito da IV
Conferência Nacional de Economia Solidária (CONAES), que permitem perceber disputas
entre projetos políticos, quando a sociedade participa de um esforço de co-construção do
Estado. O olhar etnográfico se voltou ao processo conferencial entre 2024 e 2025, com ênfase
no Distrito Federal, os documentos oficiais produzidos nele e para a prática do ativismo
institucional, fenômeno que indicou o trânsito de militantes para os quadros funcionais do
Governo Federal, aportando valores trazidos de suas trajetórias nos movimentos sociais que
fazem com que continuem pertencendo à luta, a partir de uma outra posição, o que gera
novas possibilidades de ação, ao mesmo tempo que os limita. Ao observar instituições
estatais em diferentes níveis federativos, contribuo com a ideia de que o Estado se constitui
como algo heterogêneo, com instituições que disputam diferentes projetos de sociedade
(ideia-estado), mas imbuído de uma materialidade que conforma as possibilidades de ação
(sistema-estado), a partir de efeitos de legitimidade e legibilidade, fatores que merecem
atenção ao se formularem políticas públicas. Nesse cenário, indico que o movimento social
de Economia Solidária, por seu caráter coletivista, democrático, autogestionário e
anticapitalista, participa dessa disputa do “fazer Estado” em posição desigual, frente à
conjuntura mais ampla dominada pela lógica de produção capitalista, quando seus militantes
se engajam em políticas participativas e no ativismo institucional, onde processos de
institucionalização condicionam suas atuações e, por outro lado, também servem como
ferramenta de luta.