Epidemiologia da brucelose bovina associada às características da cadeia produtiva do leite nos seis maiores estados produtores de leite do Brasil
brucelose bovina, tipologia de produção, prevalência, fatores de risco, regressão logística, análise espacial, rebanho leiteiro, saúde única.
A bovinocultura leiteira representa uma das principais atividades do agronegócio brasileiro, concentrando 72,9% da produção nos seis maiores estados produtores. A grande diversidade de seus sistemas produtivos e a presença endêmica da Brucelose Bovina (bB), uma importante zoonose, exigem estratégias de controle do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). Este estudo teve como objetivo principal caracterizar os sistemas de produção em tipologias, estimar a prevalência de bB, identificar os fatores de risco associados e analisar seu impacto na saúde única. Foi realizado um estudo transversal (N=5.638 propriedades) a partir de bancos de dados já existentes em inquéritos sorológicos dos seis maiores estados produtores de leite. Por meio da análise de agrupamento K-modes, as propriedades foram classificadas em quatro tipologias com base em características como tipo de ordenha e comercialização do leite. A análise de fatores de risco foi realizada por Regressão Logística Multivariável, e o desempenho preditivo, pela Curva ROC. Os resultados revelaram uma grande heterogeneidade na distribuição da bB entre as Unidades Federativas (UFs), com prevalências estaduais variando de 0.44% (SC) a 12.94% (GO). A Regressão Logística demonstrou que a localização geográfica e o tamanho do rebanho são os fatores de risco mais significativos. Em comparação com o estado de referência (SC), a chance de ocorrência de bB em Goiás (GO) é 36 vezes maior e em São Paulo (SP) é 32.6 vezes maior. O aumento no tamanho do rebanho (Total de Fêmeas) eleva a chance de bB em 1.84 vezes (OR=1.84). Entre as tipologias, a Tipologia 3 (Média Tecnificação) apresentou um risco 1.84 vezes maior em comparação com a Tipologia 1 (Baixa Tecnificação). O modelo preditivo alcançou uma Área Sob a Curva (AUC) de 0.7567, indicando poder discriminatório aceitável. Em termos de Saúde Única, uma alta proporção de propriedades em todas as tipologias reportou o consumo de leite cru e derivados. Conclui-se que o risco de Brucelose Bovina é fortemente modulado pela região geográfica e pelo grau de tecnificação e manejo (tamanho do rebanho e tipologia), exigindo ações do PNCEBT mais direcionadas e estratificadas por risco, com foco prioritário nas áreas de maior prevalência e nas tipologias de média tecnificação e maiores rebanhos.