Banca de DEFESA: VALERIA PAES LIMA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VALERIA PAES LIMA
DATA : 03/03/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Núcleo de Medicina Tropical
TÍTULO:

Antimicrobianos em Pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave por SARS-CoV2 no Hospital Universitário de Brasília: Perfil de gravidade, classificação AWaRe e tendência temporal, 2020-2021.


PALAVRAS-CHAVES:

Covid-19, SARS-CoV2, Antimicrobianos,  Gerenciamento de antibióticos, Coorte clínica, Séries temporais, Brasil.


PÁGINAS: 95
RESUMO:

Introdução: A pandemia de COVID-19 exerceu impacto profundo sobre os sistemas de saúde em todo o mundo e promoveu alterações substanciais nas práticas de prescrição de antimicrobianos. Frequente e muitas vezes uso inadequado de antimicrobianos foram amplamente descritos no manejo da COVID-19, levantando preocupações relacionadas ao aumento da resistência antimicrobiana e a outros desfechos adversos. Este estudo teve como objetivo caracterizar de forma abrangente o uso de antimicrobianos em pacientes brasileiros hospitalizados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pelo SARS-CoV-2, bem como avaliar os determinantes em nível individual e as tendências temporais das densidades de uso de antimicrobianos, estratificadas pela gravidade clínica e pela classificação AWaRe da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Métodos: Foi conduzido um estudo de coorte observacional retrospectivo incluindo pacientes adultos hospitalizados com SRAG causada pelo SARS-CoV-2 no Hospital Universitário de Brasília (HUB), Brasil, durante os anos de 2020 e 2021. Dados referentes aos esquemas antimicrobianos, à duração da terapia e aos dias de exposição aos antimicrobianos foram extraídos dos prontuários eletrônicos. As associações entre fatores clínicos individuais e os indicadores de exposição a antimicrobianos foram avaliadas por meio de modelos de regressão binomial negativa. As densidades de uso de antimicrobianos — dias de terapia (DOT), duração da terapia (LOT), razão DOT/LOT e dias livres de antimicrobianos (AFD) — foram agregadas por trimestre de alta hospitalar para possibilitar as análises temporais. As tendências temporais foram avaliadas por regressão de Joinpoint. O consumo de antimicrobianos foi adicionalmente analisado de acordo com a gravidade clínica ao desfecho e com a classificação AWaRe da OMS.

Resultados: A mediana de idade da coorte foi de 61 anos (intervalo interquartil [IIQ], 49–72), com elevada prevalência de comorbidades (90,1%); a maioria dos pacientes não havia sido vacinada contra a COVID-19 no momento da internação (76,3%). Na alta hospitalar, 301 pacientes (47,2%) foram classificados como COVID-19 grave e 337 (52,8%) como COVID-19 crítica. O aumento da gravidade clínica esteve consistentemente associado a maior exposição a antimicrobianos em todos os indicadores avaliados, incluindo a proporção de pacientes em uso de antimicrobianos, DOT, LOT e razão DOT/LOT, enquanto os dias livres de antimicrobianos apresentaram associação inversa. De acordo com a classificação AWaRe da OMS, os antimicrobianos da categoria Vigilância foram os mais frequentemente prescritos (91,9% dos pacientes); entretanto, os antimicrobianos da categoria Reserva apresentaram os maiores aumentos em frequência e duração de uso à medida que a gravidade clínica se intensificou. Na análise dos determinantes individuais, a exposição a antimicrobianos esteve predominantemente associada à ventilação mecânica, à hemodiálise e ao maior tempo de internação hospitalar, enquanto a vacinação prévia contra a COVID-19 foi independentemente associada a maior número de dias livres de antimicrobianos. Ao longo do período estudado, observou-se redução significativa e sustentada das densidades de uso de antimicrobianos em todos os indicadores, acompanhada por aumento progressivo da densidade de dias livres de antimicrobianos. A redução do DOT foi mais pronunciada entre pacientes com COVID-19 grave e foi predominantemente impulsionada pela diminuição do uso de antimicrobianos da categoria Vigilância da OMS. Observou-se também redução concomitante do uso de antimicrobianos da categoria Reserva entre pacientes com COVID-19 crítica.

Conclusões: Nesta coorte brasileira de centro único, a terapia antimicrobiana foi altamente prevalente entre pacientes hospitalizados com SRAG causada pelo SARS-CoV-2. O uso de antimicrobianos foi predominantemente determinado por marcadores de gravidade clínica e complexidade assistencial, enquanto a vacinação prévia contra a COVID-19 esteve associada a maior número de dias livres de antimicrobianos. As análises de tendência temporal demonstraram redução sustentada das densidades de uso de antimicrobianos ao longo do tempo, particularmente em comparação com o período inicial da pandemia, evidenciando a natureza dinâmica das práticas de prescrição de antimicrobianos durante a pandemia de COVID-19.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2279074 - GUSTAVO ADOLFO SIERRA ROMERO
Interna - 2487183 - ELZA FERREIRA NORONHA
Interno - 1961891 - WILDO NAVEGANTES DE ARAUJO
Externo à Instituição - GUILHERME LOUREIRO WERNECK - UERJ
Externa à Instituição - MAURA SALAROLI DE OLIVEIRA - HCFMUSP
Notícia cadastrada em: 24/02/2026 14:59
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