DETECÇÃO DO ANTÍGENO DE HISTOPLASMA CAPSULATUM: UMA FERRAMENTA EFICIENTE NO DIAGNÓSTICO DE HISTOPLASMOSE DISSEMINADA EM PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS?
Histoplasmose; HIV-Aids; Economia; Eficiência.
RESUMO
Introdução: A histoplasmose é uma micose sistêmica causada por fungos dimórficos da espécie Histoplasma capsulatum. A histoplasmose disseminada é uma das principais infecções que ajuda a definir a AIDS e uma das principais causas de morte de indivíduos com HIV, no Brasil e nas Américas. Métodos: O presente estudo propõe-se a avaliar se o teste de detecção de antígeno de histoplasmose é eficiente em pessoas vivendo com HIV/Aids com contagem de células CD4 menor que 200 cél./mm3 comparado aos testes atualmente disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS): cultura de células, exame direto e teste de imunodifusão, por meio de dois estudos econômicos - custos da doença e análise de custo-efetividade. O estudo de custos da histoplasmose foi realizado nas perspectivas do SUS e da sociedade; para isso, foi organizada uma coorte hipotética baseada em dados epidemiológicos de casos notificados de HIV e de histoplasmose no Brasil no ano de 2023. Foram estimados os custos diretos médicos relacionados ao diagnóstico, à assistência e ao tratamento ambulatorial e hospitalar dos casos de histoplasmose disseminada; e os custos indiretos, relacionados à perda de produtividade por mortalidade precoce e por morbidade. Foi realizada analise de sensibilidade determinística multivariada. A análise de custo-efetividade foi desenvolvida na perspectiva do SUS, para um horizonte analítico de um ano, avaliando o desfecho: casos corretamente diagnosticados e adequadamente tratados, comparando-se o cenário de implantação do diagnóstico por detecção de antígeno da histoplasmose com os testes diagnósticos atualmente disponíveis no SUS, segundo o fluxograma orientado pelo Ministério da Saúde. Foi realizada análise de sensibilidade determinística univariada e bivariada. Resultados: O custo total da histoplasmose disseminada no Brasil em 2023 foi de R$ 2.278.857.915,63 e a maioria dos custos foi relacionada aos custos indiretos devido à mortalidade precoce e perda de produtividade por morbidade (46%), seguido dos custos com tratamento hospitalar dos casos novos (45,42%) e do tratamento hospitalar em casos de reinfecção/reativação (7,26%), custo dos procedimentos com finalidade diagnóstica (0,77%), e por fim, o custo do tratamento ambulatorial para profilaxia secundária e exames de monitoramento (0,56%). A razão de custo-efetividade calculada foi poupadora (-71.286,15) quando se compara o teste de fluxo lateral (LFA) ao teste imunoenzimático (ELISA), adicionados aos testes convencionais, sendo estes em provas simultâneas. Na análise de sensibilidade determinística univariada, ao comparar a estratégia ELISA ao LFA, ambas associadas aos testes convencionais, as variáveis que mais influenciaram a RCEI foram a sensibilidade dos testes de LFA com a RCEI variando de -499.204,47 a 110.709,85 e de ELISA com RCEI variando de -313.532,88 a 176.602,81. Conclusões:Evidencia-se com esse estudo, o impacto crítico da histoplasmose disseminada em pessoas vivendo com HIV/AIDS. Esta condição impõe custos diretos significativos ao SUS e custos indiretos substanciais à sociedade. O principal fator impulsionador dos custos é a perda de capacidade produtiva decorrente da mortalidade prematura, o que ressalta a necessidade urgente de intervenções direcionadas à redução da letalidade da doença. Diante das análises apresentadas, conclui-se que o diagnóstico realizado por meio do teste LFA associado aos testes convencionais é uma estratégia poupadora, mais barata, mais efetiva e que domina a estratégia com o teste de ELISA também associado aos testes convencionais. A análise proposta poderá subsidiar o processo de decisão para ampliação do acesso diagnóstico aos casos suspeitos de histoplasmose disseminada, melhorando, consequentemente, a assistência das pessoas vivendo com HIV/AIDS no Brasil.