CARTOGRAFIA SENSÍVEL DAS CORES NATURAIS BRASILEIRAS
design e educação; cartografia sensível; território; saberes tradicionais; tinturaria vegetal.
Esta dissertação propõe e valida a Cartografia Sensível das Cores Naturais Brasileiras, uma ferramenta pedagógica destinada a investigar, registrar e compartilhar o aprendizado das cores produzidas por plantas tintoriais com a comunidade criativa de forma ampliada — incluindo educadores, estudantes, artistas, designers e todas as pessoas interessadas em aprender a partir da relação entre cor, planta e território — por meio de uma abordagem situada, relacional e perceptiva. Partindo da compreensão de que a cor natural não é dado isolado, mas acontecimento que emerge da relação entre matéria viva, território, práticas e percepções, a pesquisa integra princípios da cartografia sensível (Rolnik, Kastrup, Passos & Escóssia), da fenomenologia da cor (Goethe, Abram, Albers) e de pedagogias dialógicas e experienciadas (Freire, Dewey, Read). O processo para o desenvolvimento da ferramenta incluiu investigações realizadas em quatro territórios — Mambaí (GO), Belém do Pará (PA), Aldeia Kaupüna no Alto Xingu (MT) e Parque da Água Branca (SP) — que atuaram como campos de observação, experimentação e interpretação. A partir dessas vivências, consolidaram-se os quatro pilares da ferrameta: escuta sensível do território, experimentação tintorial e sensorial, sistematização visual-narrativa e aplicação pedagógica. Esses pilares orientaram a criação de instrumentos próprios, como fichas cromáticas, círculos cromáticos simbólicos e mapas sensoriais e narrativos, que estruturam a análise das cores segundo quatro critérios: material, sensorial, territorial e simbólico. O desenvolvimento da ferramenta resultou na elaboração do Manual Pedagógico da Cartografia Sensível das Cores Naturais Brasileiras, aplicado e validado em um curso de formação com educadoras. A análise das produções e relatos evidenciou que a ferramenta promove autonomia investigativa, ampliação perceptiva, pertencimento territorial e fortalecimento de práticas educativas baseadas na atenção, no cuidado e na experiência. A cor natural revelou-se, assim, linguagem que articula dimensões ecológicas, culturais e sensíveis, configurando-se como meio potente para formação estética e ecológica. Os resultados demonstram que a cartografia sensível é uma ferramenta robusta, replicável e adaptável, capaz de integrar rigor analítico e sensibilidade perceptiva, acolhendo epistemologias territoriais e saberes tradicionais. Ao tratar a cor vegetal como expressão relacional e processual, a cartografia das cores contribui para debates contemporâneos em design, educação e sustentabilidade, oferecendo ferramenta situada e ética para compreender e praticar a cor. A pesquisa aponta caminhos futuros para ampliação do acervo cromático, aprofundamento científico e expansão pedagógica, reafirmando a cor natural como possibilidade formativa e como saber vivo da biodiversidade brasileira.