Banca de DEFESA: LAIS VITÓRIA CUNHA DE AGUIAR

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LAIS VITÓRIA CUNHA DE AGUIAR
DATA : 24/08/2026
HORA: 10:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO:

Arqueologia do presente: Povo Warao, Imigração e Refúgio


PALAVRAS-CHAVES:

Warao; Teoria Ator-Rede; Contracolonialidade; Design decolonial; Arquitetura biofílica; Jogos sérios.


PÁGINAS: 115
RESUMO:

O presente trabalho analisa o deslocamento e o assentamento urbano de refugiados indígenas Warao em São Sebastião, no Distrito Federal, sob a ótica do design decolonial e da cultura material. O problema de pesquisa concentra-se na tensão dialética experimentada por essa população, em que o passado opera simultaneamente como força de opressão (marcada pelo trauma e pela desconexão territorial), ao mesmo tempo que se coloca como instrumento de resistência para a preservação identitária e linguística. O objetivo principal é investigar como a cultura material e imaterial se integra com a natureza neste novo espaço que é o Cerrado e o Distrito Federal. Para isso, a fundamentação teórica articula a contracolonialidade, o design antropológico e a teoria Ator-Rede (Latour), mobilizando autores como Tim Ingold, Bruno Latour, Zoy Anastassakis e Antônio Bispo dos Santos, além de referenciais clássicos como o materialismo histórico de Karl Marx e a perspectiva de memória em Walter Benjamin, essenciais para a formulação da lente teórica “arqueologia do presente”, que procura analisar o passado como agente do presente a partir da materialidade e de uma lógica decolonial do design. Assim, a arqueologia do presente foi parte integral da metodologia: Após a revisão bibliográfica, feita de maneira crítica e em relação com a dialética, partiu-se para a segunda etapa, que consistiu na observação participante e diário de campo, etapa intitulada “ancestralidade”, pois o objetivo era entender o que importava para a população e sua história. A terceira etapa, já nos resultados, referia-se a materialidade, a trazer as questões apresentadas pela população na observação para a realidade material. Esta lente teórica enxerga as diferentes etapas (dialética-ancestralidade-materialidade) como um fluxo circular ao invés de uma linha, traz a confluência (Bispo, 2023) para a prática do design e da pesquisa. Desta forma, durante as observações, foi descoberto que os buritis e os rios são os principais atores na articulação com os Warao, e por isso foram feitos mapas com os caminhos deles da Venezuela até o Brasil, e jogos de quebra-cabeça para as crianças, assim como um jogo de memória para trazer a memória dos buritis e das águas, agora distantes da realidade deles, além de diagramas para as redes sociotécnicas dos Warao no Brasil e Venezuela. Portanto, a pesquisa demonstra que a relação com a natureza, nomeadamente com os rios e buritis, pode ser uma forma de mediar a relação dos Warao com a comunidade onde vivem, pois é possível criar políticas públicas para trabalhos ecológicos que tornem a cidade mais verde, trazendo um benefício ambiental para o território onde habitam, e uma fonte de renda para a população. Por fim, a partir da análise do espaço de habitação dos Warao em Brasília, propôs-se a criação futura de um protocolo para as Casas Sementes, um projeto para habitação em refúgio ou migração que respeite o meio-ambiente, esboçado neste trabalho.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1317371 - BRENO TENORIO RAMALHO DE ABREU
Interna - ***.513.111-** - CELIA KINUKO MATSUNAGA HIGAWA - UnB
Interna - 1642944 - FATIMA APARECIDA DOS SANTOS
Externa à Instituição - MARIA CELESTE DE FATIMA SANCHES - UN
Notícia cadastrada em: 04/08/2026 15:17
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