Comparação do Desempenho Empresarial em Relação às Boas Práticas de Governança Corporativa. Uma análise das empresas de capital aberto dos países emergentes: BRICS PLUS.
Governança corporativa. Desempenho empresarial. Eficiência técnica. Análise Envoltória de Dados. BRICS Plus.
Esta tese analisa comparativamente a eficiência financeira de empresas de capital aberto dos países emergentes do BRICS Plus em relação ao seu nível de governança corporativa. A pesquisa parte da hipótese de que empresas com melhores práticas de governança apresentam maior eficiência técnica e, consequentemente, melhor desempenho financeiro. Para testá-la, estimou-se o modelo Range Directional Measure (RDM) de Análise Envoltória de Dados (DEA), adequado a variáveis com valores negativos, sobre um painel de 7.797 observações empresa-ano referentes a 1.254 empresas de oito países (Brasil, China, Índia, Rússia, África do Sul, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), no período de 2016 a 2025. A qualidade da governança foi mensurada pelo Governance Pillar Score da base Refinitiv ESG, e a relação entre governança e eficiência foi examinada por meio de correlações de Spearman, teste de Kruskal-Wallis e comparações post-hoc de Mann-Whitney, com desagregação por ano, país, setor e porte. Os resultados não confirmaram a hipótese: identificou-se correlação negativa, estatisticamente significante e persistente entre governança e eficiência técnica (ρ = -0,1221; p < 0,0001), com a eficiência mediana decrescendo da classe de governança mais fraca (D-) para a mais forte (A+). A análise aprofundada indicou que o porte da empresa atua como variável de confundimento, com efeito sobre a eficiência cerca de trinta vezes superior ao da governança, uma vez que as empresas maiores concentram tanto os melhores escores de governança quanto os menores níveis de eficiência relativa. Verificou-se ainda que a relação não é uniforme no bloco, configurando três padrões nacionais associados ao estágio de maturação regulatória de cada mercado: negativa, forte e persistente no Brasil; negativa emergente na China, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos; e fraca ou não significante na Índia, na África do Sul e no Egito, com a Rússia como caso atípico. O estudo contribui para a literatura ao propor uma explicação estrutural para a divergência de resultados sobre governança e desempenho e oferece subsídios a gestores, investidores e reguladores de economias emergentes.