O efeito das tecnologias digitais no treinamento cognitivo de idosos: uma revisão sistemática com meta-análise
Cognição; Treinamento Cognitivo; Idoso; Tecnologias Digitais; Revisão; Sistemática.
Introdução: O envelhecimento populacional e o consequente declínio cognitivo representam desafios globais à saúde pública. Intervenções baseadas em tecnologias digitais emergem como estratégias promissoras para a manutenção da saúde cognitiva em idosos.
Objetivo: Analisar, por meio de revisão sistemática com metanálise, a eficácia do treinamento cognitivo digital (TCD) em comparação ao treinamento cognitivo tradicional (TCT) sobre as funções cognitivas de pessoas idosas. Métodos: Revisão sistemática com metanálise registrada na plataforma PROSPERO (CRD420251018891) e conduzida segundo as diretrizes PRISMA. A busca foi realizada em sete bases de dados (Cochrane, Embase, PubMed, Scopus, Web of Science, LILACS, ProQuest) até abril de 2025. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados com participantes ≥60 anos que compararam TCD com TCT. A qualidade metodológica foi avaliada pela ferramenta RoB 2.0 e a força da evidência pelo sistema GRADE. A metanálise foi realizada utilizando modelos de efeitos aleatórios, com a magnitude do efeito expressa pelo SMD (Standardized Mean Difference) e IC 95%. Resultados: Dos 819 estudos identificados, seis foram incluídos na análise qualitativa e quantitativa. As intervenções digitais variaram entre realidade virtual, robótica e aplicativos. A metanálise revelou um efeito positivo e estatisticamente significativo do TCD sobre os domínios da linguagem (SMD = 0,297; IC 95% [0,021; 0,574]; I²=0%) e das habilidades visuoespaciais (SMD = 0,342; IC 95% [0,014; 0,670]; I²=0%). Não foram observados efeitos significativos para função cognitiva global, memória e funções executivas, desfechos que apresentaram alta heterogeneidade (I² > 70%). Todos os estudos apresentaram baixo risco de viés geral.
Conclusão: O treinamento cognitivo digital demonstra ser uma estratégia eficaz para a melhoria de domínios cognitivos específicos, como linguagem e habilidades visuoespaciais, em pessoas idosas. No entanto, a alta heterogeneidade e o número limitado de estudos para outros domínios indicam a necessidade de mais pesquisas com protocolos padronizados para consolidar as evidências e permitir a generalização dos resultados.