Força muscular inspiratória, capacidade cardiorrespiratória, função pulmonar e cinesiologia diafragmática em pacientes com doenças cardiovasculares: análise comparativa e fatores associados.
Doenças cardiovasculares; fraqueza muscular inspiratória; ultrassonografia diafragmática; capacidade cardiorrespiratória; ineficiência ventilatória.
Introdução: A fraqueza muscular inspiratória (FMI) é uma condição comum, porém frequentemente negligenciada, em pacientes com doenças cardiovasculares (DCV), associando-se à intolerância ao exercício e a piores desfechos clínicos. Além de representar limitação ventilatória, a FMI reflete comprometimento fisiológico sistêmico, envolvendo disfunção cardíaca e alterações morfofuncionais dos músculos respiratórios. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar parâmetros cardiorrespiratórios, respiratórios e diafragmáticos entre pacientes com DCV com força inspiratória preservada e reduzida, bem como identificar preditores independentes de fraqueza inspiratória. Métodos: Trata-se de um estudo transversal com 52 pacientes clinicamente estáveis com DCV (59,7 ± 10,8 anos; 63% homens) em progr ama de reabilitação cardíaca. Foram realizados teste cardiopulmonar, espirometria, medidas de força muscular e avaliação ultrassonográfica do diafragma. Resultados: Pacientes com FMI (n = 31) apresentaram menor fração de ejeção do ventrículo esquerdo (p = 0,004), VO₂ pico (p = 0,007) e OUES (p = 0,020), além de maior VE/VCO₂ slope (p = 0,008). Observou-se também redução da capacidade ventilatória (CVF e PFE; p < 0,05) e da espessura e espessamento inspiratório do diafragma (p < 0,05). A PImáx correlacionouse positivamente com a fração de ejeção, força de preensão e VO₂ pico, e negativamente com o VE/VCO₂ slope. Idade e VO₂ reduzido foram preditores independentes de FMI. Conclusão: Conclui-se que pacientes com DCV e FMI apresentam disfunção cardiorrespiratória, ineficiência ventilatória e remodelamento diafragmático, indicando que a FMI é um marcador de comprometimento sistêmico. A avaliação rotineira da força inspiratória pode aprimorar a estratificação de risco e direcionar intervenções na reabilitação cardiovascular.