ASPECTOS COGNITIVOS E IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS DIGITAIS: UM ESTUDO DE INTERVENÇÃO EDUCATIVA COM PESSOAS IDOSAS.
Pessoa idosa, Addenbrooke Cognitive Test, Intervenção digital, Bem-estar Subjetivo.
Resumo da dissertação em português: Introdução: O envelhecimento populacional, aliado à crescente presença digital de pessoas idosas, expõe esse grupo a riscos virtuais (fraudes financeiras, golpes on-line, desinformação), exigindo estratégias preventivas de educação digital. Objetivo: Avaliar a relação entre aspectos cognitivos de pessoas idosas e a capacidade de identificar riscos digitais antes e após uma intervenção educativa voltada à cidadania digital. Método: Estudo quase-experimental, realizado com 101 pessoas idosas vinculadas ao Projeto de Educação Viva Mais Cidadania Digital, alocadas em grupo intervenção (n = 56) e grupo controle (n = 45). A intervenção consistiu em um curso multicomponente de 32 horas sobre cidadania e segurança digital. As avaliações foram conduzidas em ambiente controlado, em dois momentos (pré-intervenção e 4 semanas após o término do curso), utilizando questionário sociodemográfico, Addenbrooke’s Cognitive Examination – Revised (ACE-R), Teste de Julgamento Situacional (SJT) sobre riscos digitais e Escala de Bem-Estar Subjetivo (EBES). Os dados foram analisados no software SPSS 22 por meio de estatística descritiva e testes não paramétricos apropriados para comparações intra e entre grupos, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: No grupo intervenção, o escore global do ACE-R aumentou de 79 para 85,5 pontos (Δ = 4; p < 0,001), com melhora significativa em memória (Δ = 3; p < 0,001), fluência verbal (Δ = 1; p = 0,032) e linguagem (Δ = 1; p = 0,010), sem alterações em atenção/orientação e habilidades visuoespaciais (p = 0,736 e p = 0,195, respectivamente). Na dimensão Educação Midiática do SJT, observou-se diferença significativa entre os grupos, favorecendo o grupo intervenção (Δ mediano –0,5 vs 0,0; p = 0,019). Na EBES, o grupo intervenção apresentou queda significativa nos escores de afeto (S1; Δ = –5,7; p < 0,001) e aumento não significativo na satisfação com a vida (S2; Δ = +2,0; p = 0,13). Conclusão: A intervenção educativa resultou em melhora significativa do desempenho cognitivo global, memória, fluência verbal e linguagem, bem como da educação midiática relacionada à identificação de riscos digitais, mas foi acompanhada por redução nos escores de afeto e não produziu mudança significativa na satisfação com a vida.