A FREQUÊNCIA DE 10 KHZ FAZ DIFERENÇA? RESPOSTAS MOTORAS E SENSORIAIS A CORRENTES DE ALTA FREQUÊNCIA COM FASES CORRESPONDENTES
Reflexo H, onda M, KFAC, PC, EENM, neuroengenharia.
Objetivo: Investigar como a variação das frequências de corrente e das durações de fase influencia o recrutamento sensório-motor e o desconforto percebido. Métodos: Foi realizado um estudo randomizado, duplo-cego e cruzado. Trinta participantes receberam estimulação elétrica dos flexores plantares utilizando quatro correntes alternadas em quilohertz (KFAC: 10, 5, 2,5 e 1 kHz), quatro correntes pulsadas com fase correspondente (PC: 0,05, 0,1, 0,2 e 0,5 ms) e uma corrente monofásica de 1 ms. As curvas de recrutamento foram geradas a partir de 40 estímulos para obtenção da onda M e do reflexo H do músculo sóleo, seguidos de 20 estímulos submáximos, correspondentes a 3–7% e aproximadamente 20% do Mmax. O recrutamento sensório-motor foi avaliado por meio das respostas normalizadas da onda M e do reflexo H, e o desconforto percebido foi mensurado utilizando uma escala visual analógica (EVA) de 0–10 cm. Resultados: As correntes PC e KFAC produziram amplitudes de Mmax comparáveis quando as larguras de fase foram correspondidas. Entretanto, a PC exigiu menores intensidades de estimulação do que a KFAC nas durações de 0,1–0,5 ms, enquanto o pulso monofásico de 1 ms exigiu intensidades menores do que a maioria das outras condições (exceto na duração de 0,5 ms). As amplitudes de Hmax foram, em geral, semelhantes entre PC e KFAC, exceto em 0,2 ms, condição em que surgiram diferenças, e o pulso de 1 ms evocou Hmax maior do que as durações mais curtas (≤0,2 ms). As razões H/M foram comparáveis em 0,05 e 0,5 ms, mas foram maiores para a PC em 0,1–0,2 ms. O desconforto percebido, medido pela EVA, não diferiu entre PC e KFAC nas durações de fase correspondidas; contudo, considerando todas as condições, o pulso de 1 ms foi classificado como o mais confortável. Conclusão: Quando a duração de fase é correspondida, KFAC e PC evocam respostas motoras e sensoriais equivalentes e níveis semelhantes de desconforto. Durações de pulso mais amplas (0,5–1 ms) otimizam o recrutamento sensorial e reduzem a necessidade de intensidades elevadas, confirmando a duração de fase como o principal parâmetro para protocolos de EENM (NMES) eficientes e confortáveis. Significância: A duração de fase é determinante para melhorar a eficácia e a tolerabilidade da EENM, com implicações diretas para a reabilitação, o aprimoramento do desempenho e aplicações em neuroengenharia.