EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DE CAFEÍNA SOBRE O DESEMPENHO EM MULHERES CICLISTAS: REVISÃO SISTEMÁTICA E ENSAIO CLÍNICO EM TESTE CONTRARRELÓGIO DE 20 KM
ciclo menstrual; cafeína; ciclismo; desempenho esportivo; suplementação
A cafeína é uma das estratégias ergogênicas mais investigadas no esporte, mas as evidências sobre seu efeito no desempenho de mulheres ciclistas ainda são limitadas, especialmente considerando o controle das fases do ciclo menstrual. Esta dissertação teve como objetivo investigar os efeitos da suplementação aguda de cafeína sobre o desempenho em mulheres ciclistas por meio de uma revisão sistemática com meta-análise e de um ensaio clínico randomizado, duplocego, placebo-controlado e cruzado em teste contrarrelógio de 20 km. Na revisão sistemática, três bases de dados foram consultadas, com triagem dos estudos de acordo com a estratégia PICOS e as diretrizes PRISMA. Os dados foram analisados por modelo meta-analítico de três níveis, considerando a dependência entre múltiplos desfechos de desempenho dentro dos estudo Também foram realizadas análises de subgrupo para dose de cafeína, nível de treinamento e fase do ciclo menstrual. Dezenove ensaios cruzados randomizados, envolvendo 235 mulheres, foram incluídos. A análise agrupada indicou pequeno, mas significativo, efeito ergogênico da cafeína sobre o desempenho no ciclismo em mulheres (diferença média padronizada = 0,21; IC95%: 0,11 a 0,29), com alta certeza da evidência. A análise de subgrupos não indicou efeito significativo da dose de cafeína ou do nível de treinamento, mas mostrou melhora significativa do desempenho durante a fase lútea média. Entretanto, o número limitado de estudos clínicos e a avaliação inadequada do ciclo menstrual impedem conclusões definitivas sobre a influência das fases do ciclo menstrual na resposta ergogênica à cafeína. No ensaio clínico, 14 ciclistas/triatletas treinadas e naturalmente menstruantes (32 ± 6 anos; VO₂max: 50,8 ± 8,1 mL·kg⁻¹·min⁻¹) realizaram duas sessões experimentais entre os dias 1 e 5 do ciclo menstrual. Sessenta minutos após a ingestão de cafeína (~4 mg/kg) ou placebo, as participantes completaram um teste contrarrelógio de 20 km em ciclismo. Foram avaliados o tempo para conclusão, a potência média, a frequência cardíaca, a percepção subjetiva de esforço, a motivação e os sintomas menstruais, estes quantificados por uma versão adaptada do Menstrual Distress Questionnaire. A cafeína reduziu significativamente o tempo para conclusão em 2,3% em comparação ao placebo (47,34 ± 7,87 min vs. 48,69 ± 9,39 min; p = 0,042; d de Cohen = 0,51) e aumentou a potência média em 2,8% (147,0 ± 29,5 W vs. 143,4 ± 30,9 W; p = 0,040; d de Cohen = 0,61). Não foram observadas diferenças entre os tratamentos para percepção subjetiva de esforço, motivação ou frequência cardíaca. Além disso, foi encontrada correlação negativa moderada entre os sintomas menstruais e as mudanças no tempo para conclusão, sugerindo que a magnitude da resposta à cafeína pode estar relacionada à intensidade dos sintomas durante a fase folicular inicial. Em conjunto, os achados desta dissertação indicam que a suplementação aguda de cafeína é uma estratégia ergogênica eficaz para melhorar o desempenho em ciclismo em mulheres, incluindo ciclistas treinadas durante a fase folicular inicial. Contudo, a escassez de ensaios clínicos com controle rigoroso do ciclo menstrual reforça a necessidade de novos estudos para compreender melhor como as características fisiológicas e sintomáticas do ciclo menstrual modulam a resposta à cafeína em mulheres atletas