EXPERIÊNCIAS FEMININAS EM AMBIENTES ALIMENTARES DOMÉSTICOS: DESENVOLVIMENTO DE MODELO TEÓRICO DE ANÁLISE INTERSECCIONAL
Ambiente Alimentar. Espaço Doméstico. Mulheres. Modelo Teórico. Teoria Interseccional
A tese apresentada teve como objetivo desenvolver um modelo teórico para análise de experiências femininas em ambientes alimentares domésticos, sob a ótica interseccional. Compreende-se o ambiente alimentar doméstico (AAD) como o contexto físico, econômico e sociocultural que oportuniza e oferece condições para a tomada de decisões sobre a alimentação dos indivíduos no espaço doméstico. Nesse sentido, ressalta-se a importância do papel das mulheres e as articulações entre gênero, raça e classe social nesse cenário. A pesquisa adotou a Interseccionalidade com referencial teórico-metodológico e a Elaboração Significativa do Modelo Teórico como método. Desenvolveu-se o estudo em três etapas: elaboração inicial do modelo, realização de grupos focais com mulheres e reestruturação do modelo e validação do modelo por meio de um painel de especialistas a partir das técnicas Delphi e de Validação de Conteúdo. O modelo apresentou o valor 1,0 no Índice de Validação de Conteúdo, obtendo boa aceitação pelos especialistas. O instrumento validado apresenta dimensões estruturais da sociedade (como o racismo, sexismo, patriarcado e capitalismo), os determinantes socioeconômicos da população feminina e negra, o território, o ambiente alimentar comunitário, o trabalho doméstico e de cuidados, os elementos-chaves do AAD, as características do grupo familiar e os desafios femininos, como elementos centrais para análises das experiências femininas no AAD. Além disto, os resultados destacam que estas experiências são atravessadas por diferentes opressões e desafios que impactam no acesso físico e econômico aos alimentos, no uso do tempo, na carga de trabalho realizada, sobretudo para mulheres negras, da classe trabalhadora e com menores rendimentos. Estes se mostraram-se enraizados no cotidiano do trabalho doméstico e de cuidados e tendem a comprometer uma alimentação adequada e saudável. Conclui-se que a perspectiva interseccional é fundamental para a análises em AAD que sejam mais condizentes com a realidade social, bem como para a formulação de políticas públicas antirracistas e antissexistas no campo da alimentação e nutrição.