PREVALÊNCIA E TENDÊNCIAS TEMPORAIS DE ATITUDES ALIMENTARES DISFUNCIONAIS E INSATISFAÇÃO CORPORAL EM ESTUDANTES DE NUTRIÇÃO NO BRASIL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA COM METANÁLISE.
Transtornos Alimentares; Imagem Corporal; Estudantes; Nutrição; Prevalência; Metanálise
A literatura evidencia prevalências relevantes de atitudes alimentares disfuncionais e insatisfação corporal entre universitários, especialmente em cursos da área da saúde. Entre estudantes de graduação em Nutrição, a exposição contínua a conteúdos relacionados à alimentação, composição corporal e prescrição dietética e dietoterápica pode intensificar vulnerabilidades psicossociais associadas à autoimagem e ao comportamento alimentar. Contudo, há lacuna de sínteses quantitativas que integrem estimativas combinadas e tendências temporais desses desfechos no contexto brasileiro. O presente estudo teve como objetivo analisar tendências temporais e estimar a prevalência combinada de atitudes alimentares disfuncionais e insatisfação corporal em estudantes de graduação em Nutrição no Brasil, por meio de revisão sistemática com metanálise. A pesquisa seguiu as diretrizes PRISMA 2020 e foi registrada no PROSPERO (CRD420251174685). Foram incluídos estudos observacionais publicados entre 2010 e 2025 que utilizaram o Eating Attitudes Test-26 (EAT-26) e o Body Shape Questionnaire-34 (BSQ-34). A metanálise de proporções foi conduzida por modelo de efeitos aleatórios. Sete estudos preencheram os critérios de elegibilidade. A prevalência combinada de atitudes alimentares disfuncionais (EAT-26 ≥ 21) foi de 20,6% (IC95%: 13,4%–30,3%), enquanto a insatisfação corporal moderada a grave (BSQ-34 ≥ 110) apresentou prevalência combinada de 18,3% (IC95%: 11,4%–28,2%). Observou-se heterogeneidade substancial entre os estudos (I² > 90%), com amplos intervalos de predição, indicando importante variabilidade contextual. Não foram identificadas evidências de tendência temporal estatisticamente significativa nas prevalências analisadas. Contudo, considerando o número reduzido de estudos disponíveis e a elevada heterogeneidade entre eles, essa análise deve ser interpretada de forma exploratória, não permitindo inferências conclusivas sobre mudanças temporais no período avaliado. Ainda assim, a prevalência combinada indica que aproximadamente um em cada cinco estudantes de Nutrição apresenta atitudes alimentares disfuncionais, evidenciando a relevância do fenômeno nesse grupo. Os achados evidenciam carga epidemiológica expressiva e sustentam a hipótese de que o contexto formativo em Nutrição pode constituir ambiente de vulnerabilidade específica, reforçando a necessidade de maior atenção à saúde mental e ao comportamento alimentar no contexto da formação em Nutrição.