Banca de QUALIFICAÇÃO: ANA LUISA LEONCIO RODRIGUES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANA LUISA LEONCIO RODRIGUES
DATA : 21/08/2026
HORA: 09:00
LOCAL: A definir
TÍTULO:

Desenvolvimento e caracterização de formulação vaginal à base de extratos vegetais do Cerrado e probióticos para o tratamento da candidíase vulvovaginal recorrente


PALAVRAS-CHAVES:

Candídiase vulvovaginal recorrente; Candida spp; Extratos vegetais; Formulação probiótica; Lactobacillus; Microbiota vaginal.


PÁGINAS: 100
RESUMO:

A candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR) é uma das infecções ginecológicas mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva e representa um desafio terpêutico importante para a saúde feminina. O manejo das infecções é impactado de forma negativa pela crescente relevância clínica das espécies de Candida não-albicans, que apresentam menor suscetibilidade aos antifúngicos convencionais, levando a recorrência da infecção, frequentemente associada ao desequilíbrio da microbiota vaginal. Embora os antifúngicos azólicos constituam o tratamento de primeira linha para casos menos complicados, a sua eficácia é limitada nos episódios recorrentes, uma vez que os medicamentos não promovem a restauração da microbiota vaginal e nem previnem novas infecções. Nesse contexto, o presente trabalho propõe o desenvolvimento e caracterização de uma formulação vaginal contendo extratos vegetais de plantas nativas do Cerrado, em associação com cepas probióticas, com o objetivo de unir a atividade antifúngica com a modulação da microbiota vaginal. Os extratos brutos preparados a partir das folhas das espécies Morus nigra e Pouteria torta foram caracterizados por cromatografia líquida de alta eficiência acoplada a detector de arranjo de diodos (CLAE-DAD), utilizando os marcadores químicos de cada extrato vegetal. A atividade antifúngica dos extratos foi avaliada por metodologias de microdiluíção em caldo e difusão, frente às cepas de relevância clínica Candida albicans, Candida glabrata e Candida krusei. Posteriormente, foi desenvolvida uma formulação para administração vaginal na forma de cápsulas duras, compostas por diferentes grupos experimentais contendo extratos vegetais, as cepas probióticas de Lactobacillus crispatus e Lactobacillus rhamnosus, e suas associações. As formulações foram submetidas à caracterização farmacotécnica, à estimativa preliminar do teor dos marcadores químicos, à avaliação da atividade microbicida em cocultivo com os Lactobacillus e aos ensaios de citotoxicidade, irritabilidade e potencial imunomodulador através da avaliação da expressão de citocinas inflamatórias. Os estudos de estabilidade acelerada, de permeação ex vivo em mucosa vaginal suína, de cicatrização in vitro (scratch assay) e de quantificação dos marcadores químicos das formulações estão em andamento. Os resultados obtidos até o momento demonstram que ambos os extratos apresentaram atividade antifúngica frente às três espécies de Candida avaliadas, com maior suscetibilidade observada para C. krusei. Além disso, tanto os extratos quanto as formulações apresentaram baixa citotoxicidade e ausência de sinais de irritação. Os extratos vegetais apresentaram ainda diferentes perfis de modulação da resposta inflamatóriaa. Enquanto Morus nigra reduziu a expressão de TNFα, IL-6 e IL-1β e aumentou a expressão de IFN-γ e do peptídeo antimicrobiano LL-37, Pouteria torta apresentou um perfil pró-inflamatório nas condições avaliadas. As formulações desenvolvidas atenderam aos critérios de aceitação estabelecidos para os ensaios farmacotécnicos, demonstrando qualidade compatível com a proposta de desenvolvimento. Nas análises de cocultivo, as cápsulas apresentaram comportamento biológico dependente da espécie vegetal empregada. As formulações contendo extrato de Pouteria torta se destacaram por seu elevado potencial microbicida, enquanto as cápsulas de Morus nigra apresentaram atividade antifúngica associada à preservação da viabilidade das cepas probióticas, sugerindo maior potencial para o controle da infecção junto com a manutenção da microbiota vaginal e modulação da resposta imune local. Como perspectivas, pretende-se concluir as etapas em andamento e aprofundar os estudos dos mecanismos imunomoduladores associados aos extratos por meio de metodologias de caracterização química e molecular, incluindo análises metabolômicas e proteômicas por espectrometria de massas (LC-MS/MS), caracterização cromatográfica dos compostos bioativos, bem como a avaliação da expressão gênica por RT-qPCR. Essas abordagens serão aplicadas aos extratos vegetais e aos metabólitos produzidos pelas cepas probióticas em cocultivo, com o objetivo de identificar compostos bioativos potencialmente envolvidos na modulação da resposta inflamatória, na produção de peptídeos com atividade antimicrobiana e com capacidade de reparo e manutenção da homeostase da microbiota vaginal.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - BRENO NORONHA MATOS - UNIEURO
Interna - 2328475 - DAMARIS SILVEIRA
Externo à Instituição - LEONARDO LUIZ BORGES - UEG
Presidente - 1562111 - PEROLA DE OLIVEIRA MAGALHAES DIAS BATISTA
Externa ao Programa - 2127029 - TANISE VENDRUSCOLO DALMOLIN - null
Notícia cadastrada em: 17/08/2026 13:17
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