Qualidade de Vida e Desempenho da Memória Episódica: As Marcas Invisíveis da Violência Sexual
Violência sexual; Memória episódica; Qualidade de vida; TEPT; Cognições pós-trauma
A violência sexual constitui um grave problema de saúde pública cujos efeitos emocionais e cognitivos permanecem subinvestigados na literatura brasileira. Este estudo tem como objetivo examinar relações entre memória episódica e os indicadores de qualidade de vida em mulheres sobreviventes de violência sexual, bem como avaliar o impacto de um programa de treino cognitivo focado em memória episódica. Utiliza-se um delineamento quase-experimental fatorial 2×2, com medidas repetidas (pré e pósintervenção), envolvendo mulheres adultas divididas em grupos de vítimas (G.E) e não vítimas (G.C), posteriormente alocadas em subgrupos que recebem treino cognitivo pela plataforma NeuronUP ou atividades psicoeducativas. As participantes completam avaliação multidimensional composta por instrumentos de atenção, depressão, trauma, cognições pós-traumáticas, função sexual e qualidade de vida, além das tarefas para memória episódica “Que-Onde-Quando” (QOQ) e “Que-Onde-Quando Contexto” (QOC), que medem acurácia da memória episódica em componentes de integração temporal, espacial e contextual. As análises serão conduzidas por Modelos Lineares Mistos, examinando efeitos principais e interações entre condição de violência, tipo de intervenção e tempo. Espera-se que o treino cognitivo resulte em melhora no desempenho de memória episódica e que tais ganhos se associem a avanços em indicadores de qualidade de vida e bem-estar sexual. O caráter inovador do estudo reside na aplicação de paradigmas experimentais de memória episódica, na inclusão de grupo controle ativo e no uso de uma intervenção cognitiva em mulheres sobreviventes de violência sexual, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções baseadas em evidências e para a compreensão dos efeitos cognitivos do trauma