DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE DE FORMULAÇÃO MAGISTRAL ORAL LÍQUIDA DE SULFADIAZINA PARA O TRATAMENTO DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA
Validação analítica, Estabilidade de medicamentos, Suspensão pediátrica, Desenvolvimento magistral, Insumo farmacêutico ativo (IFA), Comprimido, Sulfadiazina.
O objetivo do estudo foi desenvolver e avaliar a viabilidade técnico-científica de uma formulação oral líquida magistral de sulfadiazina destinada ao tratamento da toxoplasmose congênita. O estudo foi conduzido seguindo as diretrizes da ANVISA (RDC nº 166/2017; nº 67/2007; nº 318/2019) e do guia internacional ICH Q2(R1). Foi validado um método analítico por High Performance Liquid Chromatography (HPLC) para quantificação da sulfadiazina em formulações preparadas com o insumo farmacêutico ativo (IFA) e com comprimidos triturados. Avaliaram-se seletividade, linearidade, precisão, exatidão, limites de detecção e quantificação do método analítico, além do delineamento do estudo de estabilidade que buscou analisar as formulações em triplicata e em diferentes condições de armazenamento como estufa 40°C, temperatura ambiente 25°C e em refrigeração em geladeira 2 a 8°C, relacionado essas condições ao teor, pH, viscosidade, características organolépticas, comportamento de sedimentação e redispersibilidade da formulação desenvolvida . O método analítico para quantificação da sulfadiazina em formulações apresentou desempenho satisfatório, com alta seletividade e linearidade (r² > 0,999), além de precisão e exatidão adequadas. As formulações mantiveram estabilidade física e química ao longo do período experimental de 60 dias, com variações de pH e teor de fármaco dentro dos limites estabelecidos. As suspensões apresentaram comportamento pseudoplástico, boa redispersibilidade e ausência de alterações organolépticas significativas. A formulação elaborada com o IFA demonstrou maior uniformidade e estabilidade em comparação àquela produzida com comprimidos comerciais, embora ambas tenham se mostrado tecnicamente viáveis e plenamente adaptáveis ao ambiente magistral. Assim, os resultados confirmam a viabilidade da padronização de uma formulação oral líquida de sulfadiazina estável e segura, capaz de ampliar o acesso ao tratamento da toxoplasmose congênita no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo reforça a importância da manipulação magistral como estratégia de acesso a medicamentos pediátricos e contribui para o fortalecimento das políticas públicas de assistência farmacêutica.