Clareamento de dentes não-vitais: um tratamento de mínima intervenção com baixo risco de efeitos adversos
clareamento dentário, reabsorção dentária, incidência
O risco de ocorrência de reabsorção cervical externa (RCE) após o clareamento de dentes não-vitais tem sido questionado ao longo dos anos. A presente tese possui três objetivos: (a) apresentar uma revisão de literatura sobre clareamento de dentes não-vitais; (b) sob à perspectiva clínica, apresentar casos clínicos ilustrando as técnicas; e (c) apresentar uma revisão sistemática e meta-análise avaliando a ocorrência de RCE após o clareamento de dentes não-vitais, bem como explorar potenciais fatores associados. O estudo está subdividido em 6 capítulos. O capítulo 1 consiste na introdução geral e na apresentação dos objetivos da tese. O capítulo 2 corresponde a um capítulo de livro publicado durante o período de doutoramento, intitulado “Técnicas de Clareamento para Dentes Não Vitais e Dentes com Calcificações”. Esse capítulo apresenta uma revisão de literatura abrangendo a etiologia do escurecimento dentário, o mecanismo de ação dos agentes clareadores, as técnicas disponíveis e os riscos associados, além de ilustrar um caso clínico de clareamento de dentes não-vitais. O capítulo 3 apresenta um caso clínico adicional, também conduzido durante o doutoramento, no formato de artigo publicado em revista da indústria odontológica. O capítulo 4 apresenta uma revisão sistemática conduzida de acordo com as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses (PRISMA) e registrada no International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO). Sete bases eletrônicas de dados, literatura cinzenta e listas de referências dos estudos incluídos foram pesquisadas de forma sistemática. Ensaios clínicos, séries de casos e estudos observacionais foram considerados elegíveis. O desfecho primário foi RCE. O risco de viés foi avaliado utilizando o JBI Critical Appraisal Checklist for Quasi-Experimental Studies. Dois autores realizaram independentemente a triagem em duas fases, a extração de dados e a análise dos estudos. Uma meta-análise de proporção foi realizada utilizando a ferramenta online PERSyst-MA. Dos 4.053 registros identificados, 16 estudos foram incluídos na síntese quantitativa. A ocorrência de reabsorção cervical externa após o clareamento em dentes não-vitais foi de 0,12% (IC 95%: 0,00%–0,52%; I² = 43%). A análise de subgrupos revelou ausência de RCE quando uma barreira cervical foi utilizada (0,00%, IC 95%: 0,00%–0,10%; I² = 0%), em comparação com uma ocorrência de 3,60% (IC 95%: 0,50%–9,37%; I² = 65%) no subgrupo sem barreira cervical. A aplicação de calor e o trauma prévio podem ter atuado como fatores contributivos, embora não determinantes. As evidências atualmente disponíveis sugerem ausência de reabsorção cervical externa após o clareamento em dentes não-vitais quando uma barreira cervical é utilizada. O capítulo 6 consiste em um Press Release que apresenta, de forma objetiva, a problemática investigada, resultados e impactos para a sociedade. Conclui-se que clareamento de dentes não-vitais é seguro, desde que seja confeccionada uma barreira cervical, a técnica seja empregada corretamente e o paciente apresente saúde periodontal.