Resinas Compostas Simplificadas - Propriedades e Uso Associado a Envelhecimento Erosivo/Abrasivo
Palavras Chave: Erosão dentária, desgaste dentário, dentifrícios, abrasão, compósitos
“Esta tese está estruturada em três capítulos, que objetivaram avaliar propriedades físicas, químicas e mecânicas de resinas compostas de cor simplificada (monocromáticas) submetidas a protocolos de envelhecimento erosivo e abrasivo. O primeiro capítulo apresenta uma revisão narrativa da literatura sobre resinas compostas monocromáticas, considerando princípios de funcionamento, indicações clínicas e limitações, propriedades mecânicas e composição. A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, BVS e Scielo, a fim de identificar os estudos relacionados. A busca sistemática obteve 168 artigos e, após os critérios de elegibilidade, foram incluídos 7 artigos. Concluise que as resinas monocromáticas reúnem, em uma única formulação, propriedades mecânicas, físicas, químicas e estéticas, o que as torna altamente versáteis para restaurações de LCNCs, pois viabilizam a simplificação do procedimento restaurador. O segundo capítulo analisou a estabilidade das propriedades mecânicas e físico-químicas de resinas monocromáticas após envelhecimento artificial térmico e erosivo. Foram analisadas cinco resinas: Vittra Unique (VTU, FGM), Charisma Diamond One (CDO, Kulzer), Vittra (VT, A2, FGM) e Charisma Diamond (CD, A2, Kulzer). 24 amostras circulares de cada material foram distribuídas em três grupos: controle (37 °C por 7 dias), termociclagem (5.000 ciclos entre 5 °C e 55 °C) e desafio erosivo (ácido cítrico 1%, pH 3,6, 20 min/14 dias). A dureza foi medida pelo teste de Vickers. A resistência flexural (RF) foi avaliada por meio de ensaio de flexão de três pontos. Foram realizados testes de sorção e solubilidade em água com 5 espécimes por grupo. Os resultados demonstraram que a microdureza foi dependente do tipo de material, sendo significativamente reduzida após o desafio erosivo para CD, CDO e VT. A resina VTU apresentou menores valores de resistência flexural após os protocolos de envelhecimento. Em relação à solubilidade, VT e VTU exibiram melhor desempenho. As propriedades avaliadas foram fortemente influenciadas pela composição química dos compósitos, embora todos os materiais tenham atendido aos requisitos estabelecidos pela norma ISO 4049. O terceiro capítulo investigou o comportamento ao desgaste abrasivo, erosivo e combinado erosivo–abrasivo de diferentes resinas monocromáticas, comparadas a um compósito convencional. 120 espécimes (8 mm × 2 mm) foram confeccionados com as resinas Filtek Z350 XT (controle, multishade, A2, 3M ESPE), Vittra Unique (FGM), Transcend (Ultradent) e Palfique Omnichroma (Tokuyama). Os espécimes foram submetidos a protocolos de ciclagem erosiva, abrasiva e combinada. A rugosidade superficial (SR) foi expressa como variação percentual entre áreas tratada e controle, enquanto a perda de superfície (SL) foi mensurada pela diferença de altura entre essas regiões, por meio de microscopia confocal de varredura a laser. A análise estatística foi realizada utilizando os testes de Shapiro–Wilk, ANOVA de dois fatores e pós-teste de Tukey (α = 5%). O tipo de resina, a condição de ciclagem e a interação entre esses fatores influenciaram significativamente a rugosidade superficial (p < 0,001). Para SL, a condição de ciclagem e a interação foram significativas (p < 0,001), enquanto o tipo de material isoladamente não apresentou influência estatística (p = 0,296). A degradação superficial e estrutural dos compósitos resinosos monocromáticos depende tanto da composição do material quanto do tipo de desafio aplicado, não havendo relação direta entre SR e SL.”